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Abstract
OBJETIVO: Comparar os resultados da descompressão orbitária antro-etmoidal isolada àqueles da mesma cirurgia associada à remoção de tecido orbitário em paciente com orbitopatia distiroidiana seqüelar. MÉTODOS: Foram analisadas 2 modalidades de descompressão orbitária. Ambas tiveram como indicação apenas a correção estética e do desconforto ocular dos pacientes. Todos pacientes se apresentavam na fase inativa da orbitopatia distiroidiana. Em um grupo de 12 pacientes (grupo 2) foram realizadas 19 cirurgias de descompressão orbitária antro-etmoidal isolada. No outro grupo (grupo 1) composto por 8 pacientes foram realizadas 10 cirurgias de descompressão óssea antro-etmoidal associada à remoção de aproximadamente 1 centímetro cúbico de tecido adiposo da órbita. Os resultados das cirurgias nos dois grupos foram comparados entre si. RESULTADOS: No grupo 2 a redução da proptose oscilou entre 1 e 5 mm (média 3,68±1,10 mm) e no grupo 1 variou de 1 a 5 mm (média 3,25±1,36 mm). CONCLUSÕES: Tanto a descompressão óssea isolada como aquela associada à remoção de tecido adiposo orbitário apresentam redução semelhante na proptose, não havendo diferença significativa entre elas. A remoção de gordura temporal inferior, em torno de 1 centímetro cúbico parece não aumentar a redução da proptose quando comparada com a cirurgia descompressiva óssea isolada. Porém fatores como a complacência de tecidos moles, a quantidade de gordura retirada e as janelas ósseas realizadas em cada grupo devem ser considerados na conclusão deste trabalho retrospectivo de comparação entre técnicas.
Keywords: Doença de Graves; Descompressão cirúrgica; Órbita; Osso etmóide; Lipectomia; Estudo comparativo; Estudos retrospectivos
Abstract
Proptose e diplopia decorrentes de alargamento de músculo extra-ocular representam importante sinal de apresentação de várias afecções da órbita. Embora a causa mais comum de alargamento de músculo extra-ocular seja a orbitopatia distiroidiana, o diagnóstico diferencial destas doenças é extenso. Relatamos neste trabalho o caso de um paciente com história de diplopia e proptose unilateral de três meses que apresentava importante espessamento isolado do músculo reto inferior direito e após investigação clínica, radiológica e biopsia incisional teve o diagnóstico de tumor metastático de células renais para o músculo reto inferior. Há poucos casos relatados de metástases para a musculatura ocular extrínseca sendo assim nosso objetivo relatar um novo caso, revisar a literatura e reforçar a inclusão deste distúrbio no diagnóstico diferencial do espessamento da musculatura extra-ocular.
Keywords: Carcinoma de células renais; Metástase neoplásica; Exoftalmia; Músculos oculomotores; Neoplasias orbitárias; Diplopia; Relatos de casos [tipo de publicação]
Abstract
Apresentação de um caso de aumento de músculo extra-ocular causado por cisticercose, seus aspectos diagnósticos, clínicos, tratamento e revisão da literatura sobre o tema. Paciente de 38 anos do sexo feminino com aumento de músculo reto superior e pequena lesão cística foi tratada por um ano com prednisona oral com o diagnóstico de inflamação inespecífica da órbita. Havia importante restrição da motilidade ocular e dor. Tomografia computadorizada demonstrou espessamento do reto superior e pequena lesão cística, aparentemente sem conteúdo, na inserção do músculo. Biópsia excisional e estudo histopatológico confirmaram a suspeita de cisticercose. Houve melhora parcial da restrição de motilidade. A cisticercose de músculo extra-ocular é a mais frequente forma orbitária da doença. Tratamento clínico com albendazol e prednisona é eficiente, mas um atraso no diagnóstico pode levar a importante restrição residual na motilidade ocular.
Keywords: Taenia solium; Cisticercose; Infecções oculares parasitárias; Tomografia computadorizada por raios x; Transtornos da motilidade ocular; Prednisona; Albendazol; Relatos de casos
Abstract
Amiloidose primária e localizada na órbita é rara. Relatamos o caso de paciente do sexo feminino, 63 anos que se apresentou com proptose bilateral e oftalmoplegia. A tomografia computadorizada mostrou uma massa infiltrativa amorfa e calcificada em ambas as órbitas enquanto que a imagem por ressonância magnética mostrou imagem heterogênea hipointensa ponderada em T2. Uma biópsia foi realizada por orbitotomia anterior. A microscopia revelou um material extracelular amorfo, hialino e eosinofílico que corou com vermelho Congo e mostrou cor verde birrefringente à microscopia com luz polarizada, levando ao diagnóstico de amiloidose. O resultado da investigação sistêmica foi inteiramente negativo. Um período de seguimento de dois anos sem qualquer tratamento não evidenciou piora da condição. Enquanto que a presença de calcificação de lesão não vascular da órbita frequentemente é considerada sugestiva de doençamaligna, o nosso caso serve para lembrar que pode também ser um sinal característico de amiloidose orbitária.
Keywords: Amiloidose; Doenças orbitárias; Exoftalmo; Imagem por ressonância magnética; Oftalmoplegia; Humanos; Feminino; Meia-idade; Relato de caso
Abstract
Objetivo: Revisar os resultados de cirurgias de suspensão ao músculo frontal com o uso de fio de politetrafluoretileno em pacientes com blefaroptose.
Métodos: Em um estudo observacional retrospectivo, foram analisados os resultados das cirurgias de músculo frontal de uma instituição, realizadas entre 2003 e 2018. Todos os procedimentos foram realizados com incisão fechada e técnica de pentágono. Os desfechos foram classificados como satisfatórios ou insatisfatórios com definição satisfatória definida como distância margem-reflexo >3mm e <1mm entre as pálpebras e insatisfatória como hipocorreção, complicações cirúrgicas e assimetria.
Resultados: Incluímos um total de 76 pálpebras de 52 pacientes em nosso estudo. Com um tempo médio de seguimento pós-operatório de 16,8 ± 18,5 meses (intervalo 3-95), 59 (77,6%) pálpebras apresentaram desfecho satisfatório e 17 (22,4%) insatisfatórios (8 casos de assimetria, 3 granulomas, 3 extrusões de sutura, 2 abscessos e 1 caso de celulite). Nove pálpebras do grupo insatisfatório necessitaram de reoperação. Entre os pacientes com seguimento≥12 meses (38 cirurgias), resultados duradouros foram observados na maioria dos casos, exceto por 2 extrusões de sutura de surgimento tardio.
Conclusão: O uso de politetrafluoretileno na cirurgia de músculo frontal mostrou ser previsível, seguro e duradouro, Nossos achados corroboram com estudos prévios que mostraram resultados funcionais adequados e baixos índices de complicação.
Keywords: Pálpebras/cirurgia; Blefaroptose/cirurgia; Blefaroplastia/métodos Politetrafluoretileno/utilização; Sutura; Período pós-operatório
Abstract
PURPOSE: This study aimed to evaluate the prevalence of orbital conditions in a tertiary ophthalmic outpatient hospital in Sao Paulo, Brazil, with a focus on the main diagnoses and their distribution.
METHODS: A retrospective chart review was conducted involving patients registered and admitted to the orbital disease unit at the Department of Ophthalmology, University of São Paulo Medical School, from January 2004 to March 2018. A total of 838 medical charts were analyzed, of which 37 were excluded due to incomplete data. The remaining charts were categorized into eight diagnostic groups: Graves’ orbitopathy , inflammatory disorders, tumors, vascular lesions, acquired structural abnormalities, congenital structural abnormalities, infectious diseases, and others.
RESULTS: Of the 837,300 ophthalmological appointments, 3,372 (0.4%) were related to orbital diseases. The study included 801 patients, of whom 63.45% were women. The patients’ mean age was 42.86 years. Graves’ orbitopathy was the most common (55%), followed by tumor (17%), inflammatory disorders (9%), vascular lesions (7%), acquired structural abnormalities (5%), congenital structural abnormalities (4%), others (2%), and infectious diseases (1%). The study found significant differences in the incidence and types of orbital diseases, indicating the specialized nature of tertiary care and referral biases.
CONCLUSION: Published data on epidemiological orbital diseases is scarce. Therefore, this study focused on the diverse nature of orbital diseases and their low incidence among ophthalmology appointments. The major trends align with other epidemiological studies, demonstrating a preponderance of Graves’ orbitopathy in middle-aged adults and a bimodal distribution of tumors. These findings are essential in shaping resident training programs and healthcare policies, particularly in tertiary settings. Understanding the epidemiology of orbital diseases can improve diagnostic accuracy, treatment approaches, and patient outcomes as well as support future systemic prospective studies.
Keywords: Orbital diseases; Orbital tumors; Neoplasms; Inflammation; Graves’ ophthalmopathy; Outpatients
Abstract
PURPOSE: To compare inferomedial wall orbital decompression to balanced medial plus lateral wall orbital decompression in patients with Graves’ orbitopathy in the inactive phase with regard to exophthalmos reduction and the effects on quality of life.
METHODS: Forty-two patients with inactive Graves’ orbitopathy were randomly divided into two groups and submitted to one of two orbital decompression techniques: inferomedial wall orbital decompression or medial plus lateral wall orbital decompression. Preoperative and postoperative assessments included Hertel’s exophthalmometry and a validated Graves’ orbitopathy quality of life questionnaire. The results of the two groups were compared.
RESULTS: Compared to preoperative measurement, exophthalmos reduction was statistically significant in both groups (p<0.001) but more so in patients undergoing medial plus lateral wall orbital decompression (p=0.010). Neither orbital decompression techniques increased the visual functioning subscale score on the Graves’ orbitopathy quality of life questionnaire (inferomedial wall orbital decompression p=0.362 and medial plus lateral wall orbital decompression p=0.727), but a statistically significant difference was observed in the score of the appearance subscale in patients submitted to medial plus lateral wall orbital decompression (p=0.006).
CONCLUSIONS: Inferomedial wall orbital decompression is a good alternative for patients who do not require large exophthalmos reduction. However, medial plus lateral wall orbital decompression offers greater exophthalmos reduction and greater improvement in appearance (higher Graves’ orbitopathy quality of life questionnaire scores), making it a suitable option for esthetic-functional rehabilitation.
Keywords: Graves’ ophthalmopathy; Quality of life; Exophthalmos; Strabismus; Diplopia; Decompression, surgical
Abstract
Fasciite necrosante é uma infecção grave do tecido subcutâneo, caracterizada pela necrose da fáscia superficial e da pele sobrejacente. Traumas prévios e cormobidades geralmente estão associados à fasciite necrosante. Fasciite necrosante periorbital é rara. Perda visual e defeitos em tecidos moles são as morbidades mais comuns. Diagnóstico precoce, tratamento clínico rápido e intervenção cirúrgica oportuna levam a um melhor prognóstico. Reportamos um caso incomum de fasciite necrosante periorbital bilateral sem eventos desencadeantes. Uma paciente de 50 anos apresentou edema e eritema na pálpebra superior direita, que progrediu em 24 horas para ambas pálpebras bilateralmente. Ela era previamente hígida. A paciente foi submetida a debridamento cirúrgico do tecido necrótico, no mesmo dia. A paciente foi submetida a outras duas cirurgias, o que melhorou o fechamento palpebral e a aparência. Apesar da gravidade da doença, antibioticoterapia e cirurgias oportunas foram cruciais para o desfecho bem sucedido deste caso.
Keywords: Fasciite necrosante; Infecções oculares bacterianas; Doenças orbitárias; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos; Tela subcutânea; Relatos de casos
Abstract
O lacrimejamento é um sinal comum na prática oftalmológica, porém frequentemente negligenciado. Os autores descrevem um caso de um paciente com epífora unilateral direita com 8 anos de história que só após evoluir com dacriocistite foi submetido a semiologia de vias lacrimais. Após o diagnóstico de obstrução baixa da via lacrimal foi submetido a cirurgia de dacriocistorrinostomia, onde o saco lacrimal de aparência atípica foi biopsiado e identificado como carcinoma espinocelular. O paciente foi submetido a ressecção oncológica do tumor seguido de radioterapia adjuvante, permanecendo livre de recidiva por 2 anos. Este caso ressalta a importância de investigar causas da epífora, especialmente quando unilateral, dada sua maior associação com a obstrução de via lacrimal. Uma semiologia oportuna das vias lacrimais podem evitar atrasos no diagnóstico de obstrução secundárias a neoplasia, que apesar de incomuns, são potencialmente fatais.
Keywords: Obstrução dos ductos lacrimais; Doenças do aparelho lacrimal; Neoplasias oculares; Carcinoma de células escamosas; Imagem por ressonância magnética; Tomografia computadorizada por raios X; Humano; Relato de casos
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