Arq. Bras. Oftalmol. 2005;68 (4 )
:445-449
| DOI: 10.1590/S0004-27492005000400006
Abstract
OBJETIVO: Comparar os resultados da descompressão orbitária antro-etmoidal isolada àqueles da mesma cirurgia associada à remoção de tecido orbitário em paciente com orbitopatia distiroidiana seqüelar. MÉTODOS: Foram analisadas 2 modalidades de descompressão orbitária. Ambas tiveram como indicação apenas a correção estética e do desconforto ocular dos pacientes. Todos pacientes se apresentavam na fase inativa da orbitopatia distiroidiana. Em um grupo de 12 pacientes (grupo 2) foram realizadas 19 cirurgias de descompressão orbitária antro-etmoidal isolada. No outro grupo (grupo 1) composto por 8 pacientes foram realizadas 10 cirurgias de descompressão óssea antro-etmoidal associada à remoção de aproximadamente 1 centímetro cúbico de tecido adiposo da órbita. Os resultados das cirurgias nos dois grupos foram comparados entre si. RESULTADOS: No grupo 2 a redução da proptose oscilou entre 1 e 5 mm (média 3,68±1,10 mm) e no grupo 1 variou de 1 a 5 mm (média 3,25±1,36 mm). CONCLUSÕES: Tanto a descompressão óssea isolada como aquela associada à remoção de tecido adiposo orbitário apresentam redução semelhante na proptose, não havendo diferença significativa entre elas. A remoção de gordura temporal inferior, em torno de 1 centímetro cúbico parece não aumentar a redução da proptose quando comparada com a cirurgia descompressiva óssea isolada. Porém fatores como a complacência de tecidos moles, a quantidade de gordura retirada e as janelas ósseas realizadas em cada grupo devem ser considerados na conclusão deste trabalho retrospectivo de comparação entre técnicas.
Keywords: Doença de Graves; Descompressão cirúrgica; Órbita; Osso etmóide; Lipectomia; Estudo comparativo; Estudos retrospectivos
Arq. Bras. Oftalmol. 2005;68 (4 )
:533-537
| DOI: 10.1590/S0004-27492005000400020
Abstract
O objetivo é relatar um caso de trombose de seio venoso cerebral causando síndrome de pseudotumor, onde a principal manifestação clínica foi uma perda visual bilateral grave. Homem de 24 anos apresentando perda visual bilateral grave, obscurecimentos transitórios da visão, cefaléia, papiledema bilateral e campos visuais constrictos. Tomografia computadorizada, bem como exame neurológico, apresentavam-se normais. Punção lombar mostrou um aumento da pressão liquórica inicial e o hemograma mostrou aumento do número de plaquetas. A ressonância magnética de crânio apresentava sinais característicos de papiledema crônico e sinais sugestivos de trombose de seio sagital superior. A venorressonância magnética de crânio mostrou trombose de seios sagital superior, transversos e sigmóides. Paciente foi tratado com descompressão de bainha de nervo óptico do olho esquerdo, acetazolamida e anticoagulação. O exame oftalmológico após o tratamento mostrou redução do papiledema, mas com persistência de perda visual acentuada. O pseudotumor cerebral com perda visual severa pode ser um sinal de apresentação de trombose venosa cerebral secundária a doença hematológica grave.
Keywords: Papiledema; Pseudotumor cerebral; Trombose de seios intracranianos; Pressão intracraniana; Trombocitose; Acuidade visual; Relato de caso
Arq. Bras. Oftalmol. 2006;69 (3 )
:435-438
| DOI: 10.1590/S0004-27492006000300029
Abstract
Proptose e diplopia decorrentes de alargamento de músculo extra-ocular representam importante sinal de apresentação de várias afecções da órbita. Embora a causa mais comum de alargamento de músculo extra-ocular seja a orbitopatia distiroidiana, o diagnóstico diferencial destas doenças é extenso. Relatamos neste trabalho o caso de um paciente com história de diplopia e proptose unilateral de três meses que apresentava importante espessamento isolado do músculo reto inferior direito e após investigação clínica, radiológica e biopsia incisional teve o diagnóstico de tumor metastático de células renais para o músculo reto inferior. Há poucos casos relatados de metástases para a musculatura ocular extrínseca sendo assim nosso objetivo relatar um novo caso, revisar a literatura e reforçar a inclusão deste distúrbio no diagnóstico diferencial do espessamento da musculatura extra-ocular.
Keywords: Carcinoma de células renais; Metástase neoplásica; Exoftalmia; Músculos oculomotores; Neoplasias orbitárias; Diplopia; Relatos de casos [tipo de publicação]
Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (3 )
:537-539
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000300027
Abstract
Apresentação de um caso de aumento de músculo extra-ocular causado por cisticercose, seus aspectos diagnósticos, clínicos, tratamento e revisão da literatura sobre o tema. Paciente de 38 anos do sexo feminino com aumento de músculo reto superior e pequena lesão cística foi tratada por um ano com prednisona oral com o diagnóstico de inflamação inespecífica da órbita. Havia importante restrição da motilidade ocular e dor. Tomografia computadorizada demonstrou espessamento do reto superior e pequena lesão cística, aparentemente sem conteúdo, na inserção do músculo. Biópsia excisional e estudo histopatológico confirmaram a suspeita de cisticercose. Houve melhora parcial da restrição de motilidade. A cisticercose de músculo extra-ocular é a mais frequente forma orbitária da doença. Tratamento clínico com albendazol e prednisona é eficiente, mas um atraso no diagnóstico pode levar a importante restrição residual na motilidade ocular.
Keywords: Taenia solium; Cisticercose; Infecções oculares parasitárias; Tomografia computadorizada por raios x; Transtornos da motilidade ocular; Prednisona; Albendazol; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (5 )
:374-376
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000500015
Abstract
Amiloidose primária e localizada na órbita é rara. Relatamos o caso de paciente do sexo feminino, 63 anos que se apresentou com proptose bilateral e oftalmoplegia. A tomografia computadorizada mostrou uma massa infiltrativa amorfa e calcificada em ambas as órbitas enquanto que a imagem por ressonância magnética mostrou imagem heterogênea hipointensa ponderada em T2. Uma biópsia foi realizada por orbitotomia anterior. A microscopia revelou um material extracelular amorfo, hialino e eosinofílico que corou com vermelho Congo e mostrou cor verde birrefringente à microscopia com luz polarizada, levando ao diagnóstico de amiloidose. O resultado da investigação sistêmica foi inteiramente negativo. Um período de seguimento de dois anos sem qualquer tratamento não evidenciou piora da condição. Enquanto que a presença de calcificação de lesão não vascular da órbita frequentemente é considerada sugestiva de doençamaligna, o nosso caso serve para lembrar que pode também ser um sinal característico de amiloidose orbitária.
Keywords: Amiloidose; Doenças orbitárias; Exoftalmo; Imagem por ressonância magnética; Oftalmoplegia; Humanos; Feminino; Meia-idade; Relato de caso