Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (6 )
:359-362
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150095
Abstract
Objetivo: A pressão intraocular (PIO) elevada é um importante fator de risco presente em diversas patologias que acometem crianças. O objetivo deste estudo é avaliar a viabilidade, a duração do exame e o dano epitelial corneano induzido pela tonometria de rebote (RBT) versus a tonometria de aplanação de Goldmann (GAT) em crianças em idade escolar. Métodos: Crianças sem comorbidades (n=57) participaram de um estudo randomizado e transversal com medidas da pressão intraocular com GAT seguido de RBT (sequência 1) ou RBT seguido de GAT (sequência 2). O número de tentativas para adquirir uma medição confiável da pressão intraocular e a duração de exame foi quantificado. Danos epiteliais induzidos pela tonometria foram avaliados. Análise de Bland-Altman foi realizada para estabelecer a concordância entre as duas técnicas. Resultados: A pressão intraocular foi medida em todas as crianças com pelo menos com um dos dispositivos. Em ambas as sequências do estudo, mais crianças não permitiram o exame com GAT (26% vs. 4% e 16% vs. 6%, p<0,001). A duração exame com RBT foi menor (67,81 ± 35,20 s vs. 126,70 ± 56,60 s; p<0,0001). As medições de pressão intraocular com este tonômetro em ambas as sequências do estudo foram mais elevadas do que as medidas adquiridas com GAT (15,20 ± 2,74 mmHg vs 13,25 ± 2,47 mmHg, p=0,0247 e 16,76 ± 3,99 mmHg vs. 13,92 ± 2,08 mmHg; p=0,003, respectivamente). Não foi observada diferença quanto à lesão epitelial corneana induzida pela tonometria com RBT e GAT. Conclusão: A medição da pressão intraocular foi possível em um maior número de crianças com a tonometria de rebote, além de ser um exame mais rápido do que GAT. A pressão intraocular foi superestimada com RBT em comparação com GAT. Nenhum dos métodos induziu defeito epitelial corneano significativo.
Keywords: Glaucoma/diagnóstico; Tonometria ocular; Hipertensão ocular; Pressão intraocular; Efeito rebote; Acuidade visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2020;83 (3 )
:215-224
| DOI: 10.5935/0004-2749.20200060
Abstract
Objetivo: O objetivo inicial era comparar a eficácia e a segurança do implante de drenagem e a trabeculectomia em crianças com glaucoma congênito primário após falência de cirurgia angular. Como o estudo foi descontinuado devido à taxa de complicações, o objetivo deste artigo foi descrever os resultados das duas técnicas neste grupo específico.
Métodos: Ensaio clínico randomizado, não mascarado, incluindo pacientes com idade de 0 a 13 anos previamente submetidos à goniotomia ou trabeculotomia. Os pacientes, que apresentavam glaucoma não controlado com pressão intraocular ≥21 mmHg em terapia medicamentosa máxima, foram randomizados para o implante de drenagem de Baerveldt 250 mm2 (Grupo Tubo) ou trabeculectomia com mitomicina (grupo TREC). O principal desfecho avaliado foi o controle da pressão intraocular. Sucesso completo (sem medicação ocular hipotensora) e sucesso qualificado (com medicação) foram descritos. A falência foi baseada na pressão intraocular não controlada, presença de complicações sérias, aumento anormal das dimensões oculares e diminuição confirmada da acuidade visual.
Resultados: Treze olhos de 13 crianças foram estudados (cinco no grupo Tubo e oito no grupo TREC). Ambos os procedimentos reduziram a pressão intraocular em relação às medidas iniciais após 12 meses da intervenção (grupo Tubo 22.8 ± 5.9 mmHg para 12.20 ± 4.14 mmHg, p=0.0113; grupo TREC, 23.7 ± 7.3 mmHg para 15.6 ± 5.9 mmHg, p=0.0297). Nenhum paciente no grupo Tubo e 37.5% do grupo TREC alcançaram o sucesso completo após 12 meses de acompanhamento (p=0.928, teste qui-quadrado). Dois pacientes (40%) apresentaram sérias complicações no momento da abertura do tubo (extrusão do implante e descolamento de retina).
Conclusão: Os dois grupos estudados apresentaram resultados semelhantes quanto ao controle da pressão intraocular, mas o sucesso completo foi mais frequente no grupo da trabeculectomia. Implantes de drenagem não valvulados podem cursar com potenciais complicações visuais no momento da abertura do tubo. Devido ao pequeno tamanho da amostra, não foi possível determinar quaisquer dados de segurança conclusivos em relação à técnica estudada.
Keywords: Glaucoma congênito primário; Implantes para drenagem de glaucoma; Trabeculectomia; Mitomicina; Pressão intraocular
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (5 )
:0-0
| DOI: 10.5935/0004-2749.2022-0063
Abstract
Objetivo: Comparar os parâmetros de câmara anterior obtidos através da tomografia de coerência óptica de segmento anterior antes e após a iridectomia periférica a laser.
Métodos: Quatorze pacientes com fechamento angular primário e seis com glaucoma primário de ângulo fechado foram prospectivamente avaliados neste estudo. Gonioscopia e tomografia de coerência óptica de segmento anterior com DRI OCT Triton®foram realizadas antes e após a iridectomia periférica a laser. Os seguintes parâmetros de tomografia de coerência óptica de segmento anterior, baseados na localização do esporão escleral, foram avaliados: ângulo de abertura angular a 250 µm, 500 µm e 750 µm, área do espaço entre a íris e o trabeculado a 500 µm, ângulo entre a íris e o trabeculado, extensão do contato entre a íris e o trabeculado e curvatura da íris.
Resultados: A tomografia de coerência óptica de segmento anterior identificou 61% dos indivíduos com dois ou mais quadrantes fechados. A gonioscopia identificou mais quadrantes com ângulo fechado do que tomografia de coerência óptica de segmento anterior antes da iridectomia periférica a laser. Quanto aos parâmetros angulares, apenas ângulo de abertura angular a 250 µm no quadrante nasal não aumentou significativamente após a iridectomia
periférica a laser. A curvatura da íris e a extensão do contato entre a íris e o trabeculado apresentaram redução significativa induzida pelo procedimento a laser. Mesmo nos olhos em que a gonioscopia não identificou aumento da amplitude angular após iridectomia periférica a laser (n=7), ângulo de abertura angular a 750 µm aumentou (nasal: 0,15 ± 0,10 mm para 0,27
± 0,16 mm, p=0,01; temporal: 0,14 ± 0,11 mm para 0,25 ± 0,12 mm, p=0,001), e ICURVE diminuiu (nasal: 0,25 ±
0,04 mm vs. 0,11 ± 0,07 mm, p=0,02; temporal: 0,25 ± 0,07 mm vs. 0,14 ± 0,08 mm, p=0,007).
Conclusão: As alterações na câmara anterior induzidas pelo iridectomia periférica a laser puderam ser avaliadas quantitativamente e documentadas pelo DRI OCT Triton®.
Keywords: Gonioscopia; Tomografia de coerência óptica; Segmento anterior do olho; Glaucoma de ângulo fechado; Iridectomia; Terapia a laser; Lasers