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Abstract
OBJETIVO: Comparar os resultados entre o retrocesso dos retos laterais e retrocesso-ressecção monocular, para correção de exotropia intermitente do tipo básico. MÉTODOS: Foram selecionados 115 prontuários de pacientes portadores de exotropia intermitente do tipo básico submetidos a cirurgia no período entre janeiro de 1991 e dezembro de 2001. Os planejamentos cirúrgicos seguiram orientação do setor de Motilidade Extrínseca Ocular da Clínica Oftalmológica da Santa Casa de São Paulo e basearam-se na magnitude do desvio na posição primária do olhar. Os pacientes foram divididos em 4 grupos, de acordo com a magnitude de desvio pré-operatório (desvios entre 12D e 25D ou entre 26D e 35D) e o procedimento cirúrgico realizado. Considerou-se como sucesso cirúrgico a ortoforia ou exo ou esoforia bem compensada, no mínimo 1 ano após a operação. RESULTADOS: Dos 115 pacientes estudados, 34 (69%) dos 49 pacientes submetidos ao retrocesso dos retos laterais e 51 (77%), dos 66 pacientes submetidos ao retrocesso-ressecção monocular, obtiveram sucesso cirúrgico. Em relação aos grupos com desvios entre 12D e 25D, observou-se sucesso em 17 (74%) dos 23 pacientes submetidos ao retrocesso dos retos laterais (1A) e em 36 (78%) dos 46 submetidos ao retrocesso-ressecção monocular (1B) (p=0,564). No segundo grupo (desvios entre 26D e 35D), observou-se sucesso de 17 (65%) dos 26 pacientes submetidos ao retrocesso dos retos laterais (2A) e em 15 (75%) dos 20 submetidos ao retrocesso-ressecção monocular (2B) (p=0,266). CONCLUSÃO: Concluiu-se que, nos pacientes com exotropia intermitente do tipo básico, tanto para desvios entre 12D e 25D quanto para desvios entre 26D e 35D, submetidos ao retrocesso dos retos laterais ou retrocesso-ressecção monocular, ambos os procedimentos podem ser considerados igualmente efetivos, não havendo diferença significante entre a magnitude da exotropia pré-operatória e a correção obtida.
Keywords: Exotropia; Músculos oculomotores; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a incidência, etiologia e evolução dos estrabismos paralíticos ou paréticos. MÉTODOS: Foram selecionados retrospectivamente 519 prontuários de pacientes com paresia ou paralisia isolada dos músculos inervados pelos III, IV ou VI nervos cranianos, a partir de 11.000 prontuários da Seção de Motilidade Extrínseca Ocular do Departamento de Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo de janeiro de 1980 a outubro de 2004. Foram estudados: o nervo craniano acometido, o olho acometido, o sexo, os fatores etiológicos e a evolução desses pacientes. RESULTADOS: Dos 519 pacientes, 17,1% foram casos congênitos e 82,9% foram adquiridos. O nervo craniano mais afetado foi o VI (49,7%). Os pacientes do sexo masculino foram mais acometidos, com 58,1% dos casos. A etiologia traumática foi a mais freqüente nos casos de paresia ou paralisia de III (43,0%), IV (52,4%) e VI (48,8%) nervos cranianos. Os pacientes evoluíram mais freqüentemente para cirurgia nos três grupos: III nervo (42,9%), IV nervo (73,2%) e VI nervo (43,2%). CONCLUSÃO: O VI nervo craniano foi o mais freqüentemente acometido e o fator etiológico mais importante foi o traumatismo, dados esses que coincidem com os encontrados na literatura.
Keywords: Estrabismo; Estrabismo; Nervos cranianos
Abstract
Os autores relatam o caso de um menino de 5 anos que, até os 2 anos, possuía olhos normais, quando seu olho direito começou a desviar para cima e lateralmente, até chegar a esconder-se sob a pálpebra superior. À cirurgia, notou-se forte limitação passiva de abaixamento desse olho. Ele já havia sido operado em outra clínica, mas o colega não conseguiu enganchar o reto superior. Numa segunda operação, o único que conseguimos foi uma tenotomia livre do reto superior; como o olho ficou equilibrado em abdução, fizemos um retrocesso de 8 mm do reto lateral. Como restou moderada exotropia e pequena hipertropia, numa terceira operação fizemos uma ressecção de 8 mm do reto medial, um retrocesso com transposição anterior do oblíquo inferior e um avançamento do reto inferior segundo a técnica de Romero-Apis, para evitar transtornos circulatórios ao segmento anterior do olho. Como restou pequena blefaroptose, realizamos, numa quarta operação uma tarsectomia segundo Fasanella-Servat. O paciente terminou com o olho direito bem posicionado, sem limitações aos movimentos horizontais e limitação de -3 dos verticais. A imagem de ressonância magnética demonstrou alterações do reto superior, sugerindo fibrose após miosite.
Keywords: Músculos oculomotores; Estrabismo; Blefaroptose; Fibrose; Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos; Relato de caso; Humanos; Masculino; Criança
Abstract
Objetivo: Descrever novo método de medida da posição anômala da cabeça (PAC) usando celular.
Métodos: Foi utilizado o recurso de rotação de fotografias do aplicativo fotos do iPhone®. Com paciente em uma cadeira, foram fixadas duas faixas, uma horizontal, na parede ao fundo e outra sagital sobre o assento. Fotografias: frontal (1 A e 1 B), com a cabeça inclinada sobre um ombro, e superior (1 C e 1 D), visualizando testa e nariz. Também fotografada uma folha sulfite com duas retas desenhadas formando um ângulo de 32º. Trinta examinadores foram orientados a mensurar a rotação necessária para alinhar os pontos de referência com os eixos ortogonais. Para estabelecer medidas de referência a serem comparadas com aquelas obtidas pelos examinadores, foram acrescentadas digitalmente linhas azuis nas fotos frontal e superior.
Resultados: Na foto da folha de papel (p=0,380 e a=5%), os valores observados não diferem estatisticamente do valor conhecido de 32º. Média das medidas: foto frontal 1A, 22,8 ± 2,77, frontal 1B, 21,4 ± 1,61, superior 1C, 19,6 ± 2,36 e superior 1D, 20,1±2,33. A média das diferenças das medidas na foto frontal 1A foi de -1,88 (IC 95% -2,88 a -0,88), frontal 1B de -0,37 (IC 95% -0,97 a 0,17), superior 1C de 1,43 (IC 95% 0,55 a 2,24) e superior 1D foi 1,87 (IC 95% 1,02 a 2,77).
Conclusões: O método utilizado neste estudo para medida da posição anômala da cabeça é reprodutível e apresenta variação máxima de 2,88º nas posições anômalas da cabeça ao redor do eixo X e 2,77º do Y.
Keywords: Smartphone; Estrabismo; Nistagmo fisiológico; Cabeça; Torcicolo
Abstract
Objetivo: Descrição de um método simples, acessível e confiável para a medida das disfunções dos músculos oblíquos, utilizando-se smartphone.
Métodos: Foi utilizado o recurso de rotação de fotografias do aplicativo FOTOS do iPhone®; 75 examinadores avaliaram 22 fotos de 9 pacientes, obtidas em infra e supra dextroversão, infra e supra levoversão (nem todos os pacientes foram fotografados nas 4 posições citadas). Conferiu-se aos pacientes uma pontuação para a função do músculo oblíquo superior e músculo oblíquo inferior, que variou de -4 (negativo para hipofunção) a +4 (positivo para hiperfunção), ou 0 (normofuncionantes), antes e depois da edição das fotografias. Esses valores foram comparados à avaliação prévia atribuída pelos assistentes do estrabismo. Computou-se a diferença da pontuação entre eles em números naturais (inteiros e não negativos); foram calculadas média e desvio padrão dessas medidas.
Resultado: A medida da maioria das fotos editadas apresentou média inferior as não editadas, à exceção de um paciente com hiperfunção de oblíquo superior esquerdo. Pacientes sem disfunção de oblíquos demonstraram, após edição das fotos, maior similaridade com o valor inicialmente determinado (p<0,05), assim como os pacientes com oblíquo superior direito hiperfuncionantes (p<0,01). Os mesmos resultados são encontrados nos pacientes com hipofunção dos oblíquos e hiperfunção de oblíquo inferior direito (p<0,01).
Conclusão: O método utilizado para medida das funções musculares nos estrabismos verticais é reprodutível, acessível, simples, confiável, e confere maior uniformidade à aferição.
Keywords: Estrabismo; Músculo oculomotor; Anisotropia; Smartphone; Telefone celular
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