Arq. Bras. Oftalmol. 2018;81 (3 )
:171-176
| DOI: 10.5935/0004-2749.20180037
Abstract
Objetivo: Avaliar o efeito do propranolol oral para hemangioma circunscrito da coroide.
Métodos: O estudo é do tipo prospectivo, quantitativo e descritivo. Propranolol oral na dose de 1.5 mg/kg/dia foi administrada em cinco pacientes com hemangioma circunscrito da coroide. Todos os pacientes foram avaliados com acuidade visual, oftalmoscopia binocular indireta, tomografia de coerência óptica, angiografia com tomografia de coerência óptica, angiografia com fluoresceína e indocianina verde e ultrassonografia ocular.
Resultados: Nenhuma mudança clínica ou no tamanho do hemangioma circunscrito da coroide foi vista através de métodos diagnósticos em qualquer momento do tratamento. Uma atenuação das complicações foi observada nos primeiros quatro meses de tratamento, com manutenção da condição e piora nos meses seguintes.
Conclusão: O estudo mostrou que o propranolol oral na dose de 1.5 mg/kg/dia não se mostrou efetivo como monoterapia no tratamento do hemangioma circunscrito da coroide.
Keywords: Hemangioma; Neoplasia da coroide; Propranolol; Verde de indocianina; Tomografia de coerência óptica
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (2 )
:158-165
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220071
Abstract
OBJETIVOS: o principal objetivo deste estudo foi descrever pacientes com achados vasculares retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19. Com maior notificação de possíveis eventos adversos similares, esperamos compreender a real dimensão e relevância do que foi apresentado.
MÉTODOS: Onze pacientes com queixas visuais após vacinação contra COVID-19 foram estudados. Os dados analisados foram: idade, gênero, tipo de vacinação, tempo de aparecimento de sintomas, achados sistêmicos, antecedentes pessoais, acuidade visual com melhor correção, biomicroscopia e imagem retiniana multimodal (retinografia colorida, red-free, SD-OCT, OCTA e angiofluoresceinografia). Os critérios de inclusão foram a presença de alterações oftalmológicas ocorridas dentro de 30 dias após a primeira ou segunda dose de qualquer vacina contra COVID-19.
RESULTADOS: Onze pacientes foram incluídos: 5 com oclusão arterial (45,4%), 4 com oclusão venosa (36,4%) e 2 (18,2%) com alterações não específicas vasculares sugestivas de isquemia retiniana como exsudatos algodonosos. A idade média dos pacientes foi de 57 anos (DP=16; com intervalo de 27 a 84 anos). A média de tempo de aparecimento de sintomas após a vacinação foi de 10 dias (DP=5,4; com intervalo de 3 a 16 dias). Nove dos onze pacientes eram do sexo feminino (81,8%). Fatores de risco sistêmicos foram observados em 36,4% dos pacientes. Dois pacientes tiveram sintomas neurológicos e visuais, com oclusão arterial. 36,4% dos pacientes tiveram infecção prévia por COVID-19 no último ano. Sete pacientes (63,6%) receberam a vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222).
CONCLUSÕES: nossos dados sugerem que eventos retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19 são possíveis, porém raros. A relação entre estes eventos pós-vacinais exigem futura atenção antes de maiores conclusões.
Keywords: COVID-19; Infecções por coronavírus; Vacina; Oclusão arterial; Oclusão venosa; Síndrome de Susac