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Abstract
Objetivo: Desenvolvimento de metodologia para avaliar a torção ocular reflexa. Métodos: Modificações no ceratômetro de Hemholtz. que permitem a avaliação da ceratometria de ambos os olhos na posição primária do olhar e durante as inclinações laterais da cabeça, para a direita e para a esquerda a 30 graus. Foram examinados um total de 16 pacientes e 32 olhos com astigmatismo refracional de 0,50 a 3,50 dioptrias (média de 1,18 ± 0,61). Resultados: Registrou-se intorção reflexa semelhante no olho direito e esquerdo (5,22 ± 3,91 para olho esquerdo e 5,31 ± 4,23 para olho direito). O mesmo ocorreu com os valores de extorção reflexa (7,84 ± 4,79 para olho esquerdo e 7,78 ± 4,09 para olho direito). Conclusão: As modificações no ceratômetro de Helmholtz permitiram a observação e quantificação da torção ocular reflexa em pacientes com astigmatismo, através de metodologia inédita e de fácil reprodutibilidade.
Keywords: Astigmatismo; Reflexo vestibulo-ocular; Movimentos oculares; Torção ocular; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Relato de caso
Abstract
Objetivos: Estudar a incidência de tumores malignos de pálpebra no Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre. Métodos: Estudo retrospectivo dos casos de tumores malignos de pálpebra no período de 1985 a 1997, que tiveram diagnóstico confirmado por exame anátomopatológico. Resultados: Foram encontradas 54 neoplasias malignas, sendo 75,92% carcinoma basocelular, 12,96% carcinoma espinocelular, 7,40% melanoma e 1,85% lentigo maligna. A maioria dos pacientes apresentava mais de 40 anos e não houve prevalência de sexo. Conclusões: O tumor de pálpebra mais freqüente em nosso meio foi o carcinoma basocelular, seguido do carcinoma espinocelular. O melanoma foi o terceiro em freqüência mais encontrado em nossa pesquisa.
Keywords: Carcinoma basocelular; Neoplasias palpebrais; Carcinoma de células escamosas; Tumores; Incidência
Abstract
O sucesso recente no desenvolvimento de uma prótese eletrônica coclear para surdos estimulou vários grupos de cientistas ao desenvolvimento de próteses visuais. A maioria dos protótipos de próteses visuais está baseada em estimulação elétrica neuronal em diferentes localizações do sistema visual até o sistema nervoso central. Atualmente os esforços estão concentrados em três localizações de implantes visuais: retina, nervo óptico e córtex. Implantes de retina e do nervo óptico têm o potencial de restabelecer a visão em pacientes com degenerações retinianas progressivas por meio de estimulação elétrica de neurônios do sistema visual. Próteses corticais podem beneficiar um número maior de pacientes cegos devido à sua localização mais posterior no sistema visual. Apesar dos grandes avanços, torna-se ainda necessária a elucidação de questões importantes na avaliação do funcionamento, em longo prazo, dos vários implantes eletrônicos para cegos, em estudo. Neste artigo analisamos os motivos que justificam o início dos experimentos nas três posições mencionadas e os desafios advindos de tal decisão.
Keywords: Degeneração macular; Envelhecimento; Eletrodos implantados; Implante de prótese; Retina; Retinite pigmentosa; Córtex visual; Estimulação elétrica; Nervo óptico; Glaucoma
Abstract
OBJETIVO: Investigar a associação entre a presença de sintomas depressivos e a deficiência visual causada por catarata no paciente idoso. MÉTODOS: Vinte e três pacientes com catarata e acuidade visual inferior a 20/200 no melhor olho foram avaliados. As idades variavam de 60 a 93 anos. Antes da cirurgia de catarata e um mês após, os sintomas depressivos foram avaliados pela Escala de Depressão Geriátrica (EDG). RESULTADOS: A cirurgia melhorou a visão para 20/50, ou melhor, em todos os pacientes. Antes e após a cirurgia de catarata foram encontrados 11 (47,82%) e 10 (43,47%) indivíduos com escores indicativos de depressão respectivamente (p=1,0; teste de McNemar). Antes da cirurgia observamos o valor mediano da EDG de 5,0 e após a cirurgia a EDG apresentou o valor mediano de 4,0 (p = 0,012; Wilcoxon pareado). Neste período os sintomas indicativos de depressão diminuíram significativamente, de valores entre 3 a 8 pontos para valores entre 3 a 6 pontos. CONCLUSÕES: Sintomas depressivos são prevalentes e persistentes entre pacientes idosos, entretanto os níveis dos sintomas indicativos de depressão diminuem significativamente com a melhora da visão.
Keywords: Catarata; Facoemulsificação; Depressão; Transtorno depressivo; Transtorno depressivo; Avaliação geriátrica; Escala de graduação psiquiátrica; Transtornos visuais; Atividades cotidianas; Idoso
Abstract
Degeneração macular relacionada à idade (DRMI) é a principal causa de cegueira no mundo ocidental. Várias formas clínicas foram reconhecidas, e membrana neovascular coroideana (MNSR) representa manifestação importante passível de tratamento. O tratamento de MNSR tem sido um foco importante de pesquisa nas últimas décadas e a primeira terapia estabelecida baseada em evidência foi a fotocoagulação a laser, que reduziu o risco de perda visual em lesões extrafoveais. No fim da década de 90 a terapia fotodinâmica foi estabelecida como método eficiente de tratamento de MNSR predominantemente clássicas e ocultas. Terapias adicionais como a translocação macular, cirurgia submacular, e protrombose mediada por indocianina verde estão atualmente em investigação em ensaios clínicos em larga escala. A biologia molecular permitiu recentemente uma melhor compreensão da patogênese da DMRI e o fator de crescimento vascular endotelial foi reconhecido como um mediador-chave na angiogênese da formação de MNSR. Portanto, a abordagem farmacológica surge como opção terapêutica no tratamento da MNSR. O primeiro agente terapêutico aprovado pelo FDA é o aptâmero pegaptanib sódio (Macugen®), que inativa a isoforma fundamental para a angiogênese intra-ocular: VEGF165. Outros inativadores de VEGF como ranibizumab RhuFab V2 (Lucentis®) e bevacizumab (Avastin®) estão em avaliação em estudos clínicos. Resultados impressionantes de bevacizumab intravítreo foram liberados recentemente. Adicionalmente, o derivado de esteróides acetato de anecortave, assim como o corticosteróide acetato de triancinolona têm sido propostos como métodos no tratamento de DMRI-neovascular. Este artigo apresenta os princípios e resultados iniciais na terapia antiangiogênica farmacológica da MNSR na DMRI.
Keywords: Degeneração macular; Neovascularização retiniana; Fator de crescimento do endotélio vascular; Inibidores de angiogênese
Abstract
A cisticercose é uma parasitose causada por ovos de Taenia solium, que pode acometer diversos tecidos como coração, músculo esquelético, cérebro e olhos. Neste estudo será descrito o caso de um paciente de 62 anos do sexo masculino encaminhado com queixa de baixa acuidade visual progressiva no olho direito há dois meses. O exame biomicroscópico e ultra-sonográfico permitiu o diagnóstico ocular de cisticercose intravítrea. Foi realizada cirurgia de vitrectomia via pars plana para remoção do parasita e no intra-operatório ocorreu ruptura do cisto com extravasamento intravítreo. Durante o procedimento foram injetadas 400 microgramas de dexametasona intravítreo e prescrito 60 mg/dia de prednisona via oral por 14 dias. O paciente evoluiu com recuperação visual e acuidade visual final de 20/25, retina aplicada e vítreo claro. Em conclusão, farmacoterapia com corticóide intravítreo associada à terapia com corticóide sistêmico pode ser considerada como alternativa a ser associada para o controle inflamatório após cirurgia vitreorretiniana de cisticercose ocular.
Keywords: Cisticercose; Cisticercose; Infecções oculares parasitárias; Dexametasona; Glucocorticóides; Relatos de casos
Abstract
OBJETIVO: O filme lacrimal pode ser alterado por medicações crônicas, que podem comprometer o equilíbrio responsável pela função da glândula lacrimal e da superfície ocular. O objetivo desse estudo foi determinar se o tratamento crônico com drogas antiglaucomatosas induz alterações no filme lacrimal e superfície ocular. MÉTODOS: Após o consentimento informado, 21 pacientes usando drogas antiglaucomatosas por mais de 8 meses e 20 voluntários com similar distribuição etária e por sexo, não usuários de medicação ocular ou sistêmica (grupo controle) foram incluídos. Os dados do desconforto ocular, coloração com fluoresceína e lissamina verde, tempo de ruptura do filme lacrimal e teste de Schirmer foram colhidos e analisados pelo teste t de Student. A citologia de impressão foi avaliada e comparada pelo teste de qui-quadrado. RESULTADOS: Pacientes usando cronicamente medicação antiglaucomatosa apresentaram ignificativamente maior coloração por fluoresceína (p=0,003), lissamina verde (p=0,02) e menor TRFL (p=0,001). Os outros parâmetros comparados, incluindo a citologia de impressão foram similares entre o grupo tratado e controle (p>0,05). CONCLUSÕES: Esse estudo demonstra que o filme lacrimal e a superfície ocular estão alterados em usuários de medicação antiglaucomatosa. Essas medicações apresentam em comum o cloreto de benzalcônio como conservante. Esforços para minimizar efeitos adversos do uso crônico de drogas antiglaucomatosas devem ser considerados.
Keywords: Compostos de benzalcônio; Compostos de benzalcônico; Timolol; Timolol; Disco óptico; laucoma; Síndrome do olho seco; Indicadores e reagentes
Abstract
A injeção intravítrea é atualmente a técnica mais utilizada no tratamento de várias doenças vítreorretinianas. Neste artigo serão discutidas a técnica e complicações da injeção intravítrea de drogas no tratamento de doenças vítreorretinianas. Em resumo, a técnica envolve várias etapas. Inicialmente dias antes da injeção pode-se realizar aplicação de antibióticos e acetazolamida para prevenção de infecção e redução da pressão intra-ocular. Antes do procedimento deve-se dilatar a pupila e executar anestesia tópica com colírios ou gel anestésico. A antissepsia pré-operatória envolve aplicação de colírios de iodo-povidona 5% no fundo de saco conjuntival ao menos 10 minutos antes do procedimento. A injeção deve ser realizada no centro cirúrgico com uso de luvas estéreis e máscara pelo cirurgião. O olho deve ser exposto com blefarostato estéril, e proteção com "sterile-drape" para evitar contato entre a agulha e pálpebras/cílios. A agulha deve ser posicionada no momento da injeção a 3,5 - 4 mm do limbo, e leve mobilização da conjuntiva com um cotonete estéril ou uma pinça facilitam a penetração da agulha através da conjuntiva e esclera. A agulha deve ser inserida gentilmente para dentro da cavidade vítrea até 6 mm de profundidade. Imediatamente após a injeção o paciente deve ser examinado por técnica de oftalmoscopia binocular indireta. Caso a acuidade visual seja ausência de percepção luminosa ou oclusão vascular arterial retiniana seja observada, terapias para diminuição da pressão como paracentese na camada anterior ou massagem por oculopressão diretamente sobre o globo ocular devem ser imediatamente tomadas. A alta ambulatorial deve ser realizada quando o cirurgião estiver ciente da ausência de complicações intra-operatórias; o paciente deverá sair do centro cirúrgico com curativo oclusivo. O paciente deve ser submetido a exame oftalmológico completo no primeiro dia pós-operatório quando associação de antibióticos com corticosteróides deve ser prescrita por ao menos sete dias. As possíveis complicações da injeção intravítrea incluem descolamento de retina, hemorragia vítrea, catarata, uveíte, hipertensão ocular, ou endoftalmite infecciosa.
Keywords: Degeneração macular; Efeito idade; Retina; Fator de crescimento endotelial vascular; Cegueira; Injeção intravítrea
Abstract
OBJETIVO: As células intersticiais de Cajal estão presentes no trato gastrintestinal de diversas espécies animais, em íntima relação com o sistema nervoso entérico. Uma vez que as células intersticiais de Cajal expressam o produto do gene c-kit, realizou-se um ensaio imuno-histoquímico a fim de se verificar a marcação da proteína c-kit no músculo ciliar de amostras de olhos de macacos. MÉTODOS: Oito olhos de quatro macacos do novo mundo (Cebus apella) foram estudados. Após bloqueio da peroxidase endógena e de ligação protéica não específica, os tecidos receberam aplicação de anticorpos de camundongos antioncoproteína c-kit humana (1:100). A reação antígeno-anticorpo foi verificada através da aplicação do complexo avidina-biotinilada-peroxidase em cada lâmina. RESULTADOS: Foram observados grupos de células que expressam c-kit, localizadas entre as fibras do músculo ciliar. Mastócitos e outras células pigmentadas também foram observadas. CONCLUSÃO: Algumas células que expressam c-kit, observadas no músculo ciliar de Cebus apella, não mostraram similaridade com mastócitos ou melanócitos e podem ser classificadas como análogas das células intersticiais de Cajal gastrintestinais.
Keywords: Corpos enovelados; Corpo ciliar; Sistema nervoso entérico; Motilidade gastrointestinal; Proteínas proto-oncogênicas c-kit; Cebus
Abstract
OBJETIVOS: Avaliar diferentes métodos diagnósticos para a avaliação de pacientes portadores de lúpus eritematoso sistêmico, usuários crônicos do difosfato de cloroquina (DFC) e, portanto, com alto risco para retinopatia tóxica. MÉTODOS: Foram analisados 72 olhos de 36 pacientes consecutivos, seguidos no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, de julho de 2007 a abril de 2008. Dados demográficos e clínicos foram avaliados com o intuito de estudar os fatores de alto risco e comparar os seguintes métodos oftalmológicos: acuidade visual, biomicroscopia da córnea, biomicroscopia do fundo, retinografia, angiofluoresceinografia da retina, campo visual macular com mira branca. RESULTADOS: Dos 36 pacientes, 34 (94,4%) eram mulheres. A média de idade foi 39,9 ± 9,8 anos, com tempo de doença igual a 13,9 ± 6,6 anos. Além do uso crônico da cloroquina, os pacientes apresentaram altas doses diárias (>3 mg/kg) e cumulativas. Não foi observada relação entre estes fatores de alto risco e maior prevalência de retinopatia. Foi encontrada prevalência de retinopatia igual a 38,9%, confirmada por alterações bilaterais, centrais ou paracentrais e reprodutíveis no exame de campo visual. Outros exames indicados para seguimento, como acuidade visual, biomicroscopia de fundo e angiofluoresceinografia não foram capazes de diagnosticar a maioria das alterações confirmadas pelo campo visual. CONCLUSÃO: Foi observada alta prevalência de retinopatia por cloroquina entre os pacientes com alto risco, usuários crônicos do DFC, segundo os achados do campo visual. A avaliação desses pacientes deve considerar a realização do exame de campo visual em intervalos menores que os propostos, mesmo quando não há suspeita clínica.
Keywords: Retina; Retina; Doenças da retina; Cloroquina; Lúpus eritematoso sistêmico; Fatores de risco
Abstract
Uveíte é o termo utilizado para descrever um grupo de doenças inflamatórias oculares que ocorrem predominantemente na idade produtiva. Vogt-Koyanagi-Harada é uma doença sistêmica, autoimune, granulomatosa, crônica com manifestações oculares, neurológicas, auditivas e cutâneas. As principais complicações incluem catarata, glaucoma, membrana neovascular e fibrose sub-retiniana, que podem evoluir para atrofia ocular, baixa visão profunda e cegueira. O propósito deste artigo é apresentar um caso de reabilitação visual em paciente jovem com pré phthisis bulbi consequente às complicações da uveíte. Após tratamento clínico e cirurgia, um programa de treinamento e adaptação de recursos ópticos foi realizado para otimizar o uso do resíduo visual, motivando a paciente para reintegrar-se socialmente e voltar aos estudos.
Keywords: Uveíte; Uveíte; Baixa visão; Humano; Feminino; Adulto
Abstract
O objetivo do artigo é apresentar os dados atuais da aplicação de corantes vitais durante cirurgia vitreorretiniana, "cromovitrectomia", bem como uma revisão da literatura atual sobre o assunto no tocante às técnicas de aplicação, indicações e complicações em cromovitrectomia. Um grande número de publicações tem abordado o perfil tóxico da indocianina verde na cromovitrectomia. Dados experimentais mostram uma toxicidade dose-dependente da mesma em várias populações de células retinianas. Novas gerações de corantes incluem: azul tripan, azul patente, acetato de triancinolona, infracianina verde, fluoresceína sódica, azul de bromofenol, acetato de fluorometolona e azul brilhante. Novos instrumentos podem permitir um corar seletivo de estruturas durante a vitrectomia. Este artigo mostra que o campo da cromovitrectomia está em plena expansão de pesquisas. Os corantes de primeira linha são a indocianina verde, infracianina verde e o azul brilhante. Azul patente, azul de bromofenol e azul tripan surgem como novos adjuvantes para melhor observação da membrana epirretiniana. Demais corantes que surgiram merecem maior investigação.
Keywords: Vitrectomia; Corpo vítreo; Verde de indocianina; Buraco macular; Retina; Azul tripano; Agentes corantes; Membrana epirretiniana
Abstract
Objetivo: Avaliar a prevalência de retinopatia diabética dos pacientes portadores de diabetes mellitus tipo 2 do município de Luzerna (SC). Métodos: Estudo transversal onde foram incluídos os indivíduos portadores de diabetes mellitus tipo 2, de todas as idades e ambos os sexos, residentes no município de Luzerna. O trabalho analisou o banco de dados de 5.350 pessoas dos dois Programas de Saúde da Família onde está cadastrada toda a população residente no município. Um total de 136 pessoas portadoras de diabetes mellitus tipo 2 foi encontrado e, destas, 120 (89%) completaram todas as etapas do trabalho. Os pacientes realizaram exame oftalmológico para diagnóstico de retinopatia e exame de acuidade visual. Os pacientes foram submetidos a um questionário domiciliar para avaliar perfil demográfico, tempo de evolução da doença e tipo de tratamento realizado. Também foi avaliada a presença de fatores de risco para retinopatia diabética: hipercolesterolemia, glicemia de jejum, hemoglobina glicada e hipertensão arterial sistêmica. Resultados: A prevalência de retinopatia diabética encontrada foi de 38,4%. Além disso, houve associação direta de retinopatia diabética com: tempo de evolução (p<0,0001), lesão renal (p<0,0001) (microalbuminúria ou macroalbuminúria), insulinoterapia (p<0,0001) e hemoglobina glicada alterada (p=0,003). Não houve relação entre retinopatia diabética e: hipertensão arterial (p=0,184), hipercolesterolemia (LDL p=0,745, TGC=0,163, CT=0,528), sexo (p=0,299) e etnia (p=0,889). Conclusão: A prevalência da retinopatia diabética encontrada entre os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 foi de 38,4%. Este resultado confirma a necessidade de maior atenção por parte dos serviços públicos na prevenção, orientação e tratamento dos pacientes portadores de diabetes tipo 2, fazendo o diagnóstico precoce e prevenindo a doença.
Keywords: Retinopatia diabética; Diabetes mellitus tipo 2; Hemoglobina A glicosilada; Fatores de risco
Abstract
As doenças que acometem o vítreo, retina e coróide são frequentes causas de cegueira irreversível em nosso meio. O aprofundamento do conhecimento científico permitiu o desenvolvimento de novos medicamentos com ação específica na patogênese dessas doenças, com resultados clínicos superiores aos obtidos no passado. O desenvolvimento da farmacologia ocular exige do médico oftalmologista conhecimentos específicos de biologia molecular, bioquímica e epidemiologia. Entretanto, o tratamento farmacológico das doenças oculares tem sido limitado às formas convencionais de administração de fármacos. Através de revisão da literatura sobre farmacologia ocular e vias de administração de medicamentos, os autores apresentam atualização de importantes aspectos relacionados à prática clínica.
Keywords: Doenças oculares; Doenças retinianas; doenças da coróide; Doenças retinianas; Sistemas de liberação de medicamentos; Vitrectomia; Agentes corantes
Abstract
OBJETIVO: Verificar se pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto portadores de haplotipos HLA de classe I (HLA - A9-B12; -A2-B40; e -A1-B8) associados a essa doença poderiam ter progressão maior do que pacientes que não apresentassem esses haplotipos. Método: Avaliação anatômica e funcional de 25 pacientes (6 dos quais com um dos haplotipos associados a glaucoma), seguidos no Ambulatório de Glaucoma do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), por dez anos depois da tipificação de seus antígenos HLA, para comparação com as condições anteriores. RESULTADOS: Houve aumento maior da relação escavação/disco em pacientes com haplotipos HLA associados com predisposição para glaucoma primário de ângulo aberto, no entanto não foram encontradas diferenças significantes entre esses e outros pacientes com glaucoma na progressão do dano fisiológico e nem na perda de fibras nervosas da retina. CONCLUSÃO: Os resultados indicam a associação de haplotipos HLA de classe I com maior taxa de progressão das alterações anatômicas da cabeça nervo óptico em pacientes com glaucoma.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Antígenos HLA; Campos visuais; Haplotipos
Abstract
OBJETIVO: Comparar a classificação clínica de catarata nuclear, utilizando o Lens Opacities Classification System (LOCS) III, e o valores médios de densidade nuclear fornecido pelo sistema Pentacam Sheimpflug. MÉTODOS: Cento e um pacientes (101 olhos) com diagnóstico de catarata nuclear senil foram submetidos a exame clínico para graduação da opalescência nuclear de acordo com o LOCS III e divididos em seis grupos de acordo com a mesma. Os pacientes foram posteriormente avaliados pelo sistema Pentacam Scheimpflug para obtenção do valor médio de densidade fornecido pelo programa de densitometria cristaliniana do aparelho (PLDP), valor médio de densidade calculado pelo Pentacam Nucleus Staging software (PNS) e o escore de graduação de catarata nuclear fornecido pelo PNS. RESULTADOS: Observou-se uma correlação positiva entre os valores médios de densidade cristaliniana fornecidos pelo PLDP e PNS e a classificação clínica LOCS III, considerando os grupos 1 ao 5. Os valores médios de densidade nuclear de cada grupo foram similares utilizando dados do PLDP e PNS. Entretanto, quando foi analisado o escore de graduação da catarata fornecido pelo PNS foi observada uma baixa correspondência com a classificação LOCS III. CONCLUSÃO: O Pentacam Scheimpflug oferece uma medida objetiva da densidade nuclear cristaliniana em cataratas nucleares. Os valores médios de densidade nuclear fornecidos pelo PLDP e PNS foram úteis na avaliação de catarata nuclear senil até o grupo 5 da classificação LOCS III.
Keywords: Catarata; Densitometria; Núcleo do cristalino; Estudos transversais
Abstract
OBJETIVO: Descrever os procedimentos utilizados no desenvolvimento de Protocolos Clínicos e de Regulação, para equipes de atenção primária à saúde, voltados à condução dos cenários clínicos mais comuns de dificuldade visual observados na região sudeste do Brasil. MÉTODOS: Realizou-se a revisão retrospectiva de 1.333 guias de encaminhamento advindas de todos os profissionais da atenção primária da cidade de Ribeirão Preto, durante um período de 30 dias. As principais categorias diagnósticas oftalmológicas foram avaliadas nessas guias de referência. O processo de desenvolvimento dos Protocolos Clínicos e de Regulação ocorreu na sequência e envolveu a cooperação científica entre a universidade e o sistema de saúde, sob a forma de oficinas com médicos da atenção primária e membros da equipe do sistema de regulação, composto por gestores de saúde, oftalmologistas, além de professores de oftalmologia e medicina social. RESULTADOS: A dificuldade visual foi escolhida como tema central, uma vez que representou 43,6% dos encaminhamentos oftalmológicos advindos de serviços de atenção primária de Ribeirão Preto. Os Protocolos Clínicos e de Regulação desenvolvidos envolveram diferentes procedimentos diagnósticos e terapêuticos que podem ser executados na atenção primária e outros níveis ou contextos de cuidados à saúde. As intervenções clínicas e de encaminhamento mais relevantes foram expressas como algoritmos, a fim de facilitar a utilização do protocolo pelos profissionais da saúde. CONCLUSÕES: Os Protocolos Clínicos e de Regulação poderão representar uma ferramenta útil para os sistemas de saúde que contam com acesso universal, bem como para as redes de cuidados de saúde baseadas na atenção primária e nos sistemas de regulação. A implementação de Protocolos Clínicos e de Regulação poderá minimizar a disparidade entre as necessidades dos pacientes com dificuldade visual e as formas de condução de casos oftalmológicos, resultando em uma rede de saúde mais eficiente.
Keywords: Transtornos da visão; Assistência à saúde; Saúde Pública; Serviços de Saúde; Atenção primária à saúde; Sistema de saúde; Protocolos clínicos
Abstract
Descrevemos o caso de uma paciente, de 53 anos, com quadro de oclusão de ramo venoso da retina após receber seis infusões de infliximabe (3 mg/kg/dose), para tratamento de artrite reumatóide. A investigação clínica e laboratorial sobre distúrbios de coagulação, cardiopatias e sinais de hipertensão arterial crônica foi negativa. A relação temporal do uso de infliximabe e o desenvolvimento do quadro de oclusão de ramo pode indicar um possível efeito adverso da medicação.
Keywords: Artrite reumatóide; Anticorpos monoclonais; Anticorpos monoclonais; Oclusão da veia retiniana; Relato de caso
Abstract
OBJETIVO: Determinar a incidência de contaminação com o vírus Piry entre os instrumentos cirúrgicos e acessórios usados durante cirurgias sequenciais de facoemulsificação. MÉTODOS: Um modelo experimental foi realizado com quatro olhos de porcos que foram contaminados com o vírus Piry e quatro olhos de porcos não contaminados. A facoemulsificação foi realizada alternando um olho contaminado para outro olho não contaminado. Entre as cirurgias, os campos de operação, luvas, bisturi, pinças, agulhas, seringas, pontas e bolsa coletora foram trocados, mantendo somente a caneta e os sistemas de irrigação e aspiração do facoemulsificador. RESULTADOS: No saco coletor, três amostras de olhos contaminados (3/4) foram positivos, e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) também foram positivos; na ponta do facoemulsificador, uma amostra dos olhos contaminados (1/4) e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) apresentaram resultados positivos. No sistema de irrigação, uma amostra de um olho não contaminado (1/4) foi positivo, e no sistema de aspiração, duas amostras de olhos contaminados (2/4) e duas amostras de olhos não contaminados (2/4) foram positivos. Nas luvas, as amostras foram positivos em dois olhos não contaminados (2/4) e duas amostras de olhos contaminados (2/4). Nas amostras de bisturi, três olhos contaminados (3/4) e nenhum dos olhos não contaminados (0/4) foram positivos e, finalmente, duas amostras da câmara anterior dos olhos não contaminados (2/4) reunidos após a cirurgia foram positivos. CONCLUSÕES: Em dois olhos não contaminados, a presença de material genético foi detectado após a cirurgia de facoemulsificação, demonstrando que a transmissão do material genético do vírus Piry ocorreu em algum ponto durante a cirurgia para estes olhos não contaminados, quando a caneta de facoemulsificação e o sistema de irrigação e aspiração foram reutilizados entre as cirurgias.
Keywords: Facoemulsificação; Reutilização de equipamento; Arbovírus; Contaminação de equipamentos
Abstract
OBJETIVOS: Determinar a frequência de cegueira e investigar a relação entre os fatores de risco, com base nas características clínicas e no desenvolvimento da cegueira, em pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA) tratados por mais de 15 anos. MÉTODOS: Realizou-se a revisão dos prontuários (estudo retrospectivo, observacional) de 403 pacientes referidos a um hospital de nível terciário, todos com diagnóstico de glaucoma primário de ângulo aberto feito em 1974 ou posteriormente, e tratados por no mínimo 15 anos. Cegueira atribuível ao glaucoma foi definida com base na acuidade visual e/ou exames de campo visual. Variáveis consideradas possíveis fatores de risco para cegueira (uni ou bilateral) foram avaliados usando odds ratio (OR), intervalo de confiança (IC95%) e análises uni e multivariadas. RESULTADOS: Trinta e um pacientes ficaram cegos [13/53 (24,5%) - um olho cego e 18/53 (34%) - cegueira bilateral] durante o período de seguimento (19,5 ± 4,6 anos, variando de 15 a 31 anos). Estatística multivariada com análise de regressão mostrou que persistência com a terapia inicial ≤6 meses está significantemente associada com cegueira, unilateral (OR: 8,4; 95% IC: 1,3-56,4) e bilateral (OR: 7,2; 95% IC: 1,3-39,6). Outros potenciais fatores como raça, idade, gênero ou número de medicações não estiveram associados com cegueira. CONCLUSÃO: Cegueira por glaucoma primário de ângulo aberto não foi incomum na população de pacientes tratados e seguidos por um longo período. As taxas de persistência com a terapia inicial, medidas pela decisão médica de mudar o tratamento, foram baixas. Persistência ≤6 meses foi estatisticamente associada com o desenvolvimento de cegueira uni ou bilateral por glaucoma.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Cegueira; Disco óptico; Glaucoma de ângulo aberto; Acuidade visual; Fatores de risco
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