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Abstract
OBJETIVO: Avaliar o nível de informação que os pacientes portadores de diabetes mellitus possuem em relação às complicações oculares ocasionadas por essa condição. MÉTODOS: Foram avaliados 100 pacientes diabéticos em três semanas, independente do tipo da doença, com consulta previamente marcada e que compareceram para avaliação no Ambulatório de Endocrinologia do Hospital Guilherme Álvaro. O paciente estando de acordo, foi iniciado um questionário com oito perguntas voltadas ao seu conhecimento sobre as complicações oftalmológicas decorrentes do diabetes mellitus. RESULTADOS: Foram avaliados 62 mulheres e 38 homens, 93% eram diabéticos tipo II, com média de idade de 58,64 anos (± 15,64 anos). Quarenta pacientes apresentavam a doença há mais de 10 anos. Setenta pacientes, que conheciam a existência dessas complicações, mencionaram principalmente a alteração retiniana e a catarata secundária (respectivamente 30% e 27%). Em relação às perguntas sobre a possibilidade de tratamento, 30 pacientes relataram não haver, 7 não sabiam opinar sobre o assunto e 63 responderam que as alterações oculares podiam ser tratadas. Sobre as opções de terapêutica possíveis, a cirurgia foi a mais citada (33%), em seguida foram o uso de óculos (26,6%), aplicação de laser (19,4%), uso de colírio (18%) e lente de contato (3%). A maioria dos pacientes (56%) associou a aquisição dessas informações à orientação médica. Cinquenta e seis pacientes entenderam a necessidade do acompanhamento especializado de 6 meses a 1 ano e a média do tempo decorrido da última consulta foi de cerca de 1 ano e 1 mês (± 1 ano). Setenta e cinco pacientes alegaram que o tempo de doença apresentou analogia com o aparecimento das complicações oculares. Quando interrogados sobre a realização de tratamentos oftalmológicos prévios, 78 entrevistados negaram e 12 asseguraram já terem necessitado. CONCLUSÕES: Grande parte dos pacientes reconhece que podem vir a ter complicações oculares pelo tempo prolongado de diabetes mellitus (81% dos pacientes), mas há equivoco quanto à especificação dessas e seus tratamentos.
Keywords: Diabetes mellitus; Retinopatia diabética; Catarata; Conhecimentos, atitudes e prática em saúde
Abstract
Objetivo: Comparar a eficácia anestésica entre proparacaína tópica, lidocaína subconjuntival e lidocaína gel a 2%. Métodos: Noventa e dois pacientes em tratamento com injeções intravítreas foram randomizados para um de três grupos: proparacaína 0,5% gotas (Grupo gotas), proparacaína 0,5% gotas seguida de lidocaína subconjuntival (Grupo SC), ou lidocaína gel a 2%. (Grupo Gel). Os pacientes foram orientados a graduar a sua experiência de dor por uma escala visual analógica, numa escala de 0 a 10, imediatamente após as injeções, bem como 10 minutos, 1 hora, 6 horas e 24 horas após. Os pacientes também classificaram a experiência global de injeção como excelente, muito boa, regular, ruim ou horrível. O médico avaliou o movimento do olho do paciente durante a injeção intravítrea em três níveis: nenhuma ou mínima (0), não comprometendo a injeção (1), comprometendo a injeção (2). Resultados: Os pacientes do grupo gotas apresentaram uma graduação média de dor pior durante a injeção e 10 minutos após, com maior ocorrência de movimentos comprometendo a injeção (grau 2) (38,7%). Os pacientes do grupo SC, apresentaram maior percentual de boa experiência durante o procedimento (37,9%) e maior ocorrência de quemose (16,7%). Os pacientes do grupo Gel apresentaram escore de dor geral semelhante ao grupo Gotas e maior incidência de ceratite (19,4%). Não houve correlação estatisticamente significativa com o uso de aspirina ou anticoagulantes e a ocorrência de hiperemia ou hiposfagma. Conclusão: Lidocaína subconjuntival foi mais eficaz na prevenção da dor durante injeção intravítrea com movimentação ocular mínima. Embora os pacientes do grupo lidocaína gel a 2% tenham apresentado uma boa experiência, consideramos a incidência ceratite muito elevada (19,4%) e não recomendamos lidocaína gel a 2% como a primeira escolha como anestésico para injeções intravítreas. Não há evidência para a suspensão do uso de aspirina ou drogas anti-coagulantes em pacientes que serão submetidos a injeções intravítreas.
Keywords: Eficácia; Anestesia; Proparacaína/administração & dosagem; Lidocaína/ administração & dosagem; Injeções intravítreas; Conjuntiva/efeito de drogas
Abstract
PURPOSE: The volume of the vitreous chamber varies with the size of the eye. The space created in the vitreous cavity by a vitrectomy is called the vitrectomized space. The volume of the vitrectomized space is strongly correlated with the axial length of the eye. This study aims to present guidelines for estimating the using participants stratified by axial length, sex, and history of cataract surgery.
METHODS: This retrospective, observational, cross-sectional study included 144 randomly selected participants who underwent vitrectomies between 2013 and 2023. Before surgery, the axial lengths of participants' eyes were measured using optical biometrics. The axial lengths of the eyes in our sample were between 20-32 mm. In all cases, a complete vitrectomy was performed, followed by complete fluid-air exchange and injection of a balanced saline solution. The volume infused was recorded.
RESULTS: The median (interquartile range; range) volume of the vitrectomized space was 6.1 (3.8; 3.1-11.3) mL in men and 6.1 (3.3; 3.2-11.2) mL in women (p=0.811). The median volume of the vitrectomized space was 5.9 (3.6; 3.1-11.2) mL in patients with phakic lenses and 6.25 (3.6; 3.3-11.3) mL in those with pseudophakic lenses (p=0.533). A positive correlation was found between the axial length and the volume of the vitrectomized space in this sample (r=0.968; p<0.001). In a cubic polynomial regression, the coefficient of determination was 0.948. Similar results were observed in both sexes and in both phakic and pseudophakic patients. The estimated cubic polynomial regression equation for this sample was VVS = 0.000589052857847605 × AL3 - 0.025114926401582700 × AL2 + 0.685961117595624000 × AL - 5.088226672620790000.
CONCLUSION: We developed this axial length estimation of the volume of vitrectomized space as a guideline for the determination of vitrectomized space volume using axial length.
Keywords: Cataract extraction; Retinal perforations/surgery; Epiretinal membrane/surgery; Vitreous body; Axial length, eye; Vitrectomy; Biometry/methods; Diagnostic techniques, ophthalmological; Guidelines as topic.
Abstract
OBJETIVOS: o principal objetivo deste estudo foi descrever pacientes com achados vasculares retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19. Com maior notificação de possíveis eventos adversos similares, esperamos compreender a real dimensão e relevância do que foi apresentado.
MÉTODOS: Onze pacientes com queixas visuais após vacinação contra COVID-19 foram estudados. Os dados analisados foram: idade, gênero, tipo de vacinação, tempo de aparecimento de sintomas, achados sistêmicos, antecedentes pessoais, acuidade visual com melhor correção, biomicroscopia e imagem retiniana multimodal (retinografia colorida, red-free, SD-OCT, OCTA e angiofluoresceinografia). Os critérios de inclusão foram a presença de alterações oftalmológicas ocorridas dentro de 30 dias após a primeira ou segunda dose de qualquer vacina contra COVID-19.
RESULTADOS: Onze pacientes foram incluídos: 5 com oclusão arterial (45,4%), 4 com oclusão venosa (36,4%) e 2 (18,2%) com alterações não específicas vasculares sugestivas de isquemia retiniana como exsudatos algodonosos. A idade média dos pacientes foi de 57 anos (DP=16; com intervalo de 27 a 84 anos). A média de tempo de aparecimento de sintomas após a vacinação foi de 10 dias (DP=5,4; com intervalo de 3 a 16 dias). Nove dos onze pacientes eram do sexo feminino (81,8%). Fatores de risco sistêmicos foram observados em 36,4% dos pacientes. Dois pacientes tiveram sintomas neurológicos e visuais, com oclusão arterial. 36,4% dos pacientes tiveram infecção prévia por COVID-19 no último ano. Sete pacientes (63,6%) receberam a vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222).
CONCLUSÕES: nossos dados sugerem que eventos retinianos temporalmente relacionados à vacinação contra COVID-19 são possíveis, porém raros. A relação entre estes eventos pós-vacinais exigem futura atenção antes de maiores conclusões.
Keywords: COVID-19; Infecções por coronavírus; Vacina; Oclusão arterial; Oclusão venosa; Síndrome de Susac
Abstract
PURPOSE: To compare the short-term (3-month) outcomes of intravitreal aflibercept injections versus intravitreal aflibercept combined with dexamethasone sodium phosphate in treating diabetic macular edema.
METHODS: In this Phase-2 clinical trial, 16 eyes of 16 participants with diabetic macular edema were randomly assigned to one of 2 groups. Participants in the aflibercept monotherapy group received 2 mg of intravitreal aflibercept (0.05 mL), while those in the combination therapy group received 2 mg of intravitreal aflibercept (0.05 mL) plus 0.04 mg dexamethasone sodium phosphate (0.01 mL). Identical injections were repeated after 30 and 60 days. The primary outcome was the change in central macular thickness, as measured by optical coherence tomography, from baseline to 1 month after the last injection. Secondary outcomes included changes in best-corrected visual acuity and intraocular pressure over the same period.
RESULTS: The mean baseline central macular thickness was 444 ± 86 μm in the combination therapy group and 394 ± 96 μm in the aflibercept monotherapy group (p=0.293). By day 90, the mean reduction in central macular thickness was significantly greater in the combination therapy group (176 ± 129 μm) compared to the aflibercept monotherapy group (54 ± 49 μm; p=0.034). Best-corrected visual acuity also improved significantly more in the combination therapy group, with a median gain of 0.31 ± 0.16 LogMAR, whereas the aflibercept monotherapy group experienced a minimal change (−0.06 ± 0.13 LogMAR; p=0.020). Intraocular pressure remained stable in both groups, with no significant difference (p=0.855). None of the participants developed elevated intraocular pressure (>21 mmHg) or required ocular hypotensive medications. No significant ocular or systemic adverse events were reported.
CONCLUSION: The addition of dexamethasone sodium phosphate to the standard intravitreal aflibercept regimen for diabetic macular edema can improve short-term structural and functional outcomes.
Trial registration: Brazilian Clinical Trials Registry (RBR-7468j4q)
Keywords: Diabetic macular edema; Aflibercept; Dexamethasone sodium phosphate; Intravitreal injection; Visual acuity; Central macular thickness; Intraocular pressure
Abstract
O objetivo deste estudo foi relatar o primeiro caso na América do Sul de angiostrongilíase intravítrea tratada com vitrectomia posterior via pars plana e remoção do verme. Este foi um relato de caso observacional. O prontuário médico, sistema de imagem digital de campo amplo, ultrassonografia ocular, e potenciais evocados visuais foram revistos. Um menino de 1 ano e 8 meses de idade manifestou meningite eosinofílica e exotropia olho direito. A análise de PCR do liquor foi positiva para Angiostrongylus cantonensis. O exame de fundo de olho revelou disco óptico pálido, faixas sub-retinianas, opacidades vítreas, descolamento de retina tracional periférico e um verme morto no vítreo. O paciente foi submetido a vitrectomia posterior via pars plana com a remoção do verme. Concluindo, este é o primeiro relato de caso de angiostrongilíase intravítrea na América do Sul, possivelmente relacionado com a disseminação de uma espécie de lesma exótica neste continente.
Keywords: Angiostrongylus cantonensis; Oftalmopatias/parasitologia; Vitrectomia; Relatos de casos; América do Sul
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