Arq. Bras. Oftalmol. 2015;78 (2 )
:105-109
| DOI: 10.5935/0004-2749.20150027
Abstract
Objetivo: Avaliar a morfologia e função da retina em pacientes com doença macular relacionada à idade (DMRI), neovascular avançada, antes, durante e após o tratamento com ranibizumabe. Métodos: Vinte e um olhos com diagnóstico de DMRI avançada foram avaliados pela tomografia de coerência óptica (OCT) e eletrorretinografia multifocal (mfERG). Três injeções intravítreas de ranibizumabe foram administradas em intervalos de 1 mês. As avaliações foram realizadas antes da primeira injeção (D0) e aos 30 (D30), 60 (D60), e 90 dias (D90) após a primeira injeção e comparados com um grupo controle (n=21 olhos). Resultados: A espessura macular estava aumentada antes do tratamento devido à presença de fluido intrarretiniano, e o aumento da espessura do complexo EPR-CC foi compatível com a presença de membrana neovascular coroidal. O edema intrarretiniano diminuiu após o tratamento (P<0,01). Três diferentes áreas retinianas anulares (do centro para a periferia: anéis R1, R2 e R3) foram consideradas no mfERG. A amplitude do componente N1 diminuiu nos anéis R1, R2 e R3 em D30, D60 e D90 comparados com o grupo controle (P<0,05); e o tempo implícito de N1 aumentou no anel R3 em D30 (P<0,05). A amplitude do componente P1 diminuiu em R1 e R2 nos dias D30, D60 e D90 comparados com os controles (P<0,01); o tempo implícito de N1 aumentou no anel R1 em D0 e D60 (P<0,05), no anel R2 em D0, D30 e D90 (P<0,01) e no anel R3 em D30 e D60 (P<0,05). Conclusão: O ranibizumabe reduziu o edema intrarretiniano, mesmo em casos avançados. A atividade central macular parece aumentar após o início do tratamento e melhorar ao longo do tempo.
Keywords: Degeneração macular/quimioterapia; Anticorpos monoclonais humanizado/uso terapêutico; Tomografia de coerência óptica; Eletrorretinografia; Injeções intravítreas
Arq. Bras. Oftalmol. 2019;82 (3 )
:176-182
| DOI: 10.5935/0004-2749.20190035
Abstract
Objetivo: Correlacionar os parâmetros de variação da pressão intraocular (flutuação e pico) com o dano funcional em pacientes tratados com glaucoma primário de ângulo aberto, e comparar esses parâmetros de pressão intraocular entre olhos com dano funcional assimétrico.
Métodos: Estudo observacional prospectivo foi realizado incluindo consecutivamente pacientes tratados com glaucoma primário de ângulo aberto. Foram excluídos indivíduos com outras doenças oculares que não o glaucoma ou cirurgia prévia incisional de glaucoma. Os principais critérios de inclusão foram: ≥3 testes de campo visual e ≥2 anos de acompanhamento, sem quaisquer alterações no regime medicamentoso atual. Parâmetros de pressão intraocular de longo prazo foram obtidos através de medidas de pressão intraocular isoladas de cada consulta (as últimas 5 consultas de cada paciente foram consideradas para análise). Para avaliação dos parâmetros de pressão intraocular de curto prazo, todos os pacientes foram submetidos ao teste de sobrecarga hídrica. Inicialmente, calculamos os coeficientes de correlação parcial de cada parâmetro de variação da pressão intraocular com o nível de dano funcional, baseado no índice Mean Deviation (MD), ajustando para a pressão intraocular basal e o número de medicações antiglaucomatosas. Além disso, comparamos cada parâmetro de pressão intraocular entre os olhos com melhor e pior nível de dano funcional em pacientes com perda de campo visual assimétrica (definida como diferença no índice mean deviation entre os olhos de pelo menos 3 dB).
Resultados: Foram incluídos 87 olhos (87 pacientes) com glaucoma primário de ângulo aberto. A idade média foi de 61,9 ± 12,5 anos e 59,8% eram mulheres. Em geral, os pacientes foram submetidos a 5 testes (mediana) de campo visual, com um seguimento médio de 4,3 ± 1,4 anos. Nem os parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo nem aqueles obtidos pelo teste de sobrecarga hídrica se correlacionaram significativamente com o nível de dano no campo visual (p≥0,117). No subgrupo com perda de campo visual assimétrica (64 olhos de 32 pacientes; idade média, 65,0 ± 11,4 anos), nem os parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo nem os obtidos pelo teste de sobrecarga hídrica diferiram significativamente entre olhos com melhor e pior nível de dano funcional
(p≥ 0,400).
Conclusão: Nossos resultados indicam que não apenas parâmetros de variação da pressão intraocular de longo prazo, mas também medidas de pressão intraocular derivadas do teste de sobrecarga hídrica, não parecem se correlacionar com o nível de dano do campo visual, nem diferem significativamente entre olhos com nível de dano funcional assimétrico. Esses achados sugerem que outros fatores poderiam explicar essa assimetria funcional e que o teste de sobrecarga hídrica não acrescenta informações significativas a esses casos.
Keywords: Glaucoma de ângulo aberto; Pressão intraocular/ fisiologia; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Ingestão de líquidos; Água; Ritmo circadiano