Showing of 1 until 19 from 19 result(s)
Search for: José A.P. Gomes
Abstract
Objetivo: Avaliar as condições de adaptação e venda de lentes de contato (LC) em óticas de quatro cidades do Estado de São Paulo, Brasil. Métodos: Realizou-se estudo por meio de respostas a um questionário aplicado por quatro estudantes de Medicina em óticas situadas em várias cidades do Estado de São Paulo. Foram obtidos dados sobre a necessidade da apresentação de receita médica para a compra das LC, os tipos de LC vendidas/adaptadas, o profissional que orienta a venda e/ou adaptação, os equipamentos usados no teste de tolerância, a conduta do cliente diante de complicações quando da adaptação da LC ou durante o uso, orientação quanto a possíveis sinais e sintomas de perigo, as doenças que contra-indiquem o uso e a higiene do usuário, as horas de uso e a possibilidade de pernoite. Resultados: Das 198 óticas pesquisadas, 121 (61,11%) vendem LC. Não foi necessária receita médica para a compra das lentes em 112 óticas (92,56%), sendo que nessas, a graduação era determinada pela medida dos óculos em 69 (61,61%) casos e por relato verbal em 28 (25,00%) casos. Quanto aos equipamentos, 102 (91,07%) óticas possuíam lensômetro; 41 (36,61%) possuíam ceratômetro e 14 (12,50%), lâmpada de fenda. Lentes descartáveis hidrofílicas foram encontradas para venda/adaptação em 66 (54,55%) óticas; lentes hidrofílicas de uso prolongado ou diário em 68 (56,20%) e lentes rígidas, em 54 (44,63%). Em 103 (85,12%) óticas, foram feitos testes de tolerância, sendo os responsáveis pelo atendimento e pela monitorização dos testes os profissionais autodenominados contatólogos em 78 (64,46%) dessas óticas, balconista em 20 (16,53%), óptico em 12 (9,92%) e oftalmologistas em 9 (7,44%). Quanto às complicações na adaptação, em 66 (54,55%) óticas, afirmou-se que elas só ocorreriam, se evidenciadas no teste de tolerância; em 35 (28,93%), aconselhou-se tratamento com oftalmologista e em 20 (16,53%), sugeriu-se o retorno à ótica para indicação de tratamento. Em apenas 15 (13,39%), o profissional orientou quanto à possível sintomatologia de perigo e em 13 (11,61%), preocupou-se com doenças que contra-indicassem o uso de LC. Em 105 (93,75%) óticas, a orientação foi insuficiente em relação à higiene com as LC, às horas de uso e à possibilidade de pernoite. Conclusão: Das 198 óticas pesquisadas, 61,11% vendem lentes de contato, sendo que em 92,56% não foram solicitadas receitas médicas; 14,88% não fizeram qualquer tipo de teste de tolerância e as óticas restantes (85,12%) fizeram testes normalmente insuficientes para detecção de alterações induzidas por LC. Não houve preocupação com contra-indicações, sinais e sintomas de perigo nem avaliação de possíveis complicações pela presença das LC e conduta em caso de sua ocorrência, além dos cuidados mínimos de higiene durante o teste de tolerância. O profissional responsável pela adaptação (autodenominado contatólogo, balconista, ótico; ou oftalmologista) não forneceu orientação adequada sobre o uso e, em muitos casos, não deu orientação em relação à higiene.
Keywords: Lentes de contato; Lentes de contato; Lentes de contato de uso prolongado; Lentes de contato hidrofílicas; Córnea; Equipamentos descartáveis; Acomodação ocular; Óptica; Questionários
Abstract
OBJETIVOS: O objetivo deste estudo é caracterizar por meio do exame oftalmológico os pacientes com suspeita clínica de penfigóide cicatricial ocular e apresentar os resultados obtidos com a técnica de imunofluorescência direta. MÉTODOS: Estudo prospectivo realizado no setor de Córnea e Doenças Externas da Universidade Federal de São Paulo. Foram examinados 18 pacientes com suspeita clínica de penfigóide cicatricial ocular e realizadas biópsias de conjuntiva para o processamento da imunofluorescência direta em 13 pacientes (26 olhos), que não estavam na vigência de imunossupressão sistêmica ou terapêutica antiglaucomatosa tópica. RESULTADOS: Segundo o estadiamento de Foster, a proporção de olhos classificados de I a IV foram: 3,8%, 3,8%, 77%, 15,4% respectivamente. Apenas 3 (23%) pacientes apresentaram imunofluorescência direta positiva. CONCLUSÃO: A maioria dos pacientes encontravam-se em estágio avançado da doença, o que denota retardo no diagnóstico. A imunofluorescência direta apresentou baixa sensibilidade em detectar depósitos de imunocomplexos na membrana basal da conjuntiva, quando comparada aos dados da literatura.
Keywords: Penfigóide mucomembranoso benigno; Dermatopatias vesiculobolhosas; Membrana basal; Conjuntiva; Técnica direta de fluorescência para anticorpo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a segurança, a eficácia e a recidiva tumoral após o uso de mitomicina C (MMC) tópica no tratamento de neoplasias intra-epiteliais (NIC) primárias e recidivadas e carcinomas espinocelulares (CEC) recidivados. MÉTODOS: Dois grupos de pacientes foram tratados. Grupo 1 com diagnóstico de NIC primário ou recidivado fez uso do colírio de MMC 0,02%, 4 vezes ao dia por 28 dias. O grupo 2 com diagnóstico de CEC recidivado fez uso do colírio de MMC 0,02%, 4 vezes ao dia por 21 a 28 dias. Após o término do tratamento era feita citologia exfoliativa para controle ou biópsia nos casos de lesão residual. RESULTADOS: Oito pacientes com NIC e 1 com CEC mostraram regressão total da lesão e citologia exfoliativa de controle negativa para células neoplásicas. Em 1 paciente com NIC e 2 com CEC, houve regressão parcial das lesões, tendo sido necessária exérese cirúrgica da lesão residual, com exame anatomopatológico negativo para neoplasia. Os efeitos colaterais foram transitórios e desapareceram após a suspensão do colírio. Não houve recidiva tumoral num seguimento médio de 24,9 meses. CONCLUSÃO: Os resultados preliminares desse estudo su-gerem que o uso da MMC tópica é opção segura e eficaz como tratamento único de NIC primária ou recidivada e no tratamento do CEC recidivado, porém não evitando a cirurgia na maioria dos pacientes com CEC. Não foram observadas recidivas tumorais durante o segmento. Mais estudos são necessários, com maior número de pacientes e maior tempo de seguimento para confirmar esses resultados.
Keywords: Mitomicina; Neoplasias oculares; Neoplasias da conjuntiva; Carcinoma de células escamosas; Epitélio da córnea
Abstract
OBJETIVO: Avaliar as características morfológicas da membrana amniótica desepitelizada por diferentes técnicas. MÉTODOS: A membrana amniótica humana foi coletada no momento do parto, fixada em concentrações crescentes de glicerol (0-50% em DMEM) e preservada a 80°C até a hora de ser usada. O estudo consistiu de 4 grupos: epitélio intacto (controle) e membranas desepitelizadas pela tripsina (2 mg/mL a 1:250), dispase (1,2 U/mL em solução salina balanceada de Hank livre de Mg2+ e Ca2+) e ácido etilenodiaminotetra-acético (EDTA), 0,02%). As amostras foram submetidas à análise por microscopia eletrônica (de varredura e de transmissão). RESULTADOS: A microscopia eletrônica de varredura mostrou epitélio intacto no grupo controle e sua ausência nas membranas amnióticas desepitelizadas pela tripsina e pela dispase. Naquelas tratadas com o ácido etilenodiaminotetra-acético, havia áreas com e sem epitélio. Quando avaliadas pela microscopia eletrônica de transmissão, o epitélio estava intacto e firmemente aderido à membrana basal através de hemidesmossomos nos grupos controle e em parte do ácido etilenodiaminotetra-acético. Havia apenas fibras colágenas nas membranas tratadas com dispase e tripsina. CONCLUSÕES: O tratamento da membrana amniótica com tripsina e dispase pode causar completa retirada do epitélio e da membrana basal, ao passo que o ácido etileno- diaminotetra-acético pode preservar áreas com epitélio intacto e parcialmente destruir a membrana basal em outras.
Keywords: Âmnio; Ácido edético; Doenças da córnea; Tripsina; Endopeptidases; Microscopia eletrônica
Abstract
OBJETIVO: Comparar, por microscopia eletrônica, a integridade anatômica e a presença de fatores de crescimento e citocinas da membrana amniótica preservada com glicerol/MEM (1:1) e dimetilsulfóxido puro. MÉTODOS: As membranas amnióticas preservadas em glicerol/MEM (1:1) ou dimetilsulfóxido puro foram processadas para microscopia eletrônica de transmissão e varredura. Como controle, membrana amniótica fresca foi imediatamente fixada após coleta e processada para microscopia eletrônica. As citocinas e os fatores de crescimento avaliados foram: TGF-beta- fator transformador de crescimento beta; TGF-beta ativ- fator transformador de crescimento beta ativado; EGF- fator recombinante de crescimento epitelial humano; FGF-4- fator de crescimento fibroblástico 4; FGF-beta- fator de crescimento fibroblástico básico; IL-4- interleucina 4; PGE2- prostaglandina E2; IL-10- interleucina 10; KGF- fator de crescimento de queratinócito; HGF- fator de crescimento de hepatócito. RESULTADOS: As membranas amnióticas do grupo controle apresentavam epitélio íntegro, com microvilos na superfície e complexos juncionais entre as células e a membrana basal. As membranas amnióticas preservadas em glicerol/MEM tinham aspecto semelhante às do controle, com maior altura das células epiteliais. Já as membranas amnióticas preservadas em dimetilsulfóxido mostraram redução das junções intercelulares e destacamento do epitélio da membrana basal. As citocinas e fatores de crescimento não apresentaram diferenças entre os grupos, exceto FGF-4, FGF-beta, PGE2 e KGF. CONCLUSÕES: A membrana amniótica preservada em meio glicerol/MEM apresentou melhor integridade tecidual, com menor desprendimento do epitélio da membrana basal, em comparação com a preservada no dimetilsulfóxido puro. Os fatores de crescimento e citocinas estavam, em sua maior parte, preservados com as duas técnicas de preservação.
Keywords: Âmnio; Microscopia eletrônica; Glicerol; Dimetilsulfóxido; Citocina; Fator transformador de crescimento beta
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia da liofilização da membrana amniótica (MA) para a reconstrução da superfície ocular em coelhos. MÉTODOS: A liofilização é processo de preservação que mantém a MA estável durante longo tempo mesmo em temperatura ambiente. A córnea de um olho de cada coelho macho da raça Nova Zelândia foi marcada e desepitelizada. Essa área desepitelizada foi coberta com: Grupo 1: MA criopreservada (n=6); Grupo 2: MA liofilizada (n=6) e Grupo 3: Não coberta (n=3). A MA nos grupos 1 e 2 e a periferia da córnea no grupo 3 foram suturadas com nylon 10-0. A avaliação clínica foi realizada por um observador cego em relação à hiperemia, neovascularização e edema de córnea e reepitelização nos dia 1, 7 e 30 pós-operatórios. Após o dia 30 os ratos foram eutanizados e suas córneas enviadas para análise histopatológica e ultra-estrutural. RESULTADOS: Dois olhos no grupo 2 foram excluídos da análise devido à infecção. Não foi encontrada diferença estatisticamente significante entre os grupos em relação à avaliação clínica. Na microscopia eletrônica de transmissão, a membrana basal nos grupos de MA liofilizada e controle foi mais contínua e homogênea em relação ao grupo da MA criopreservada. CONCLUSÕES: O processo de liofilização parece ser boa opção para a preservação da membrana amniótica humana para utilização na reconstrução da superfície ocular.
Keywords: Amnio; Liofilização; Criopreservação; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos; Preservação de tecido; Coelhos
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a importância da presença de células 3T3 para estabelecer cultura de suspensão de células epiteliais do limbo obtido de rimas córneo-esclerais. MÉTODOS: Rimas de diferentes doadores tiveram seus estroma posterior e endotélio removidos (n=6). Cada rima foi dividida em três segmentos iguais, que foram colocados em cultura em três diferentes condições: um segmento foi colocado na placa de cultura com o lado epitelial para cima (Grupo A). Os dois segmentos restantes foram tripsinizados e a suspensão de células obtida foi cultivada com (Grupo B) ou sem (Grupo C) células 3T3 irradiadas. As células foram mantidas em meio de cultura "supplemental hormonal epithelial médium" (SHEM), a migração epitelial e a formação de clones nos grupos A, B e C foram avaliadas pela microscopia de contraste de fase e por coloração pela rodamina B. Os resultados foram comparados estatisticamente. RESULTADOS: O crescimento de células epiteliais foi observado em 4/6 rimas (Grupo A). Todas as suspensões de células epiteliais que foram cultivadas com células 3T3 (Grupo B) formaram clones. Nenhuma adesão ou formação de clones verdadeiros (holo ou meroclones) foi observada na cultura de células que foi cultivada sem 3T3 (Grupo C) (p=0,009). CONCLUSÕES: Suspensão de células epiteliais límbicas obtidas de rimas córneo-esclerais no modelo utilizado precisa ser cultivada com células 3T3 para formar clones e estabelecer colônias epiteliais com perspectivas para uso terapêutico na reconstrução da superfície ocular.
Keywords: Células epiteliais; Técnicas de cultura de células; Diferenciação celular; Células-tronco; Limbo da córnea
Abstract
OBJETIVO: Investigar o potencial terapêutico do transplante de membrana amniótica nos casos agudos graves de queimadura ocular química e síndrome de Stevens-Johnson. MÉTODOS: Foram analisados retrospectivamente os prontuários de oito pacientes, com um total de dez olhos, submetidos a transplante de membrana amniótica para tratamento de queimadura ocular química e síndrome de Stevens-Johnson na fase aguda entre janeiro de 1999 e maio de 2008 no Departamento de Oftalmologia da UNIFESP. Dados referentes a sexo, idade, grau da queimadura, etiologia, olho acometido, achados oftalmológicos, extensão da membrana amniótica, operações adicionais, tempo em dias entre a lesão e a cirurgia, acuidade visual antes e depois da cirurgia, defeito epitelial em dias, complicações e tempo de seguimento em meses foram coletados. RESULTADOS: A idade média dos pacientes foi de 35,7 ± 23,04 anos, dos quais seis eram homens e dois eram mulheres. Três pacientes (quatro olhos) apresentaram síndrome de Stevens-Johnson e cinco pacientes (seis olhos) apresentaram queimadura ocular química. O defeito epitelial foi cicatrizado em média de 27,8 ± 4,7 dias (variando de 20 a 35 dias). Todos os pacientes evoluíram com deficiência límbica em seguimento médio de 7,8 ± 2,8 meses (variando entre cinco e doze meses) e quatro olhos desenvolveram simbléfaro. CONCLUSÕES: Os resultados sugerem que o transplante de membrana amniótica representa um aditivo que pode ser realizado nos casos agudos graves de queimadura ocular química e síndrome de Stevens-Johnson com a finalidade de promover a epitelização e suprimir a inflamação e suas consequências, se comparado a outros trabalhos que trataram casos semelhantes com terapia medicamentosa somente. Por outro lado, não é capaz de evitar a deficiência límbica nesses casos, que futuramente necessitarão de transplante de células-tronco do limbo ou outras cirurgias para correção da superfície ocular.
Keywords: Âmnio; Síndrome de Stevens-Johnson; Córnea; Epitélio anterior; Queimaduras oculares
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia do uso das lentes de contato esclerais no manejo das sequelas oculares de pacientes portadores de síndrome de Stevens-Johnson. MÉTODOS: Foram avaliados, retrospectivamente, pacientes com sequelas oculares da síndrome de Stevens-Johnson que iniciaram o uso de lente de contato escleral. Os pacientes foram submetidos a avaliação subjetiva dos sintomas através de um questionário; exame oftalmológico (medida da acuidade visual, biomicroscopia, coloração da superfície ocular com colírio de fluoresceína, teste de Schirmer). RESULTADOS: Dez olhos de 7 pacientes foram analisados. A acuidade visual dos pacientes variou de movimentos de mão a 20/25. Todos os pacientes apresentavam algum grau de opacidade corneal e simbléfaro leve. A lente de contato escleral foi adaptada com sucesso em 90% dos olhos. Em todos estes casos os pacientes referiram melhora dos sintomas e da visão. Com relação aos achados biomicroscópicos observou-se melhora da hiperemia conjuntival e da ceratite, e diminuição da secreção mucosa em 90% dos olhos. CONCLUSÕES: Foi possível uma adaptação bem sucedida da lente de contato escleral em grande parte dos pacientes, com melhora dos sintomas e da acuidade visual provavelmente consequentes à melhora da regularização da superfície ocular. As lentes de contato esclerais representam uma importante e acessível alternativa para a redução da limitação ocasionada pelos danos sequelares da síndrome de Stevens-Johnson.
Keywords: Lente de contato; Esclera; Olho seco; Síndrome de Stevens-Johnson
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a eficácia e aspecto estrutural de células límbicas epiteliais humanas cultivadas sobre membrana amniótica (MA) com e sem epitélio. MÉTODOS: As culturas límbicas foram obtidas a partir de rima corneoescleral remanescentes de transplantes de córnea de 6 diferentes doadores. Cada explante foi cultivado em três diferentes grupos: MA desepitelizada por tripsina (Grupo 1), MA com epitélio íntegro (Grupo 2) e controle (Grupo 3). A migração epitelial foi avaliada por microscopia de contraste de fase. Após 15 dias, as células cultivadas sobre MA foram submetidas à microscopia eletrônica para avaliar migração e adesão epitelial. RESULTADOS: Todas as células do grupo controle cresceram até atingir confluência. Somente uma das culturas em membrana amniótica desepitelizada não apresentou crescimento epitelial. O crescimento de células epiteliais sobre membrana amniótica epitelizada foi observada em apenas uma cultura. CONCLUSÃO: Baseando-se nestes achados, o uso de membrana amniótica desepitelizada aparenta ser o melhor substrato para migração e adesão epitelial comparando com membrana amniótica epitelizada. Remover o epitélio da membrana amniótica demonstra ser um importante passo para estabelecer culturas de células sobre membrana amniótica.
Keywords: Células epiteliais; Técnicas de cultura de células; Membrana amniótica; Células-tronco; Limbo da córnea; Córnea; Adesão celular; Estudo comparativo
Abstract
OBJETIVO: Avaliar pela citologia de impressão a superfície da córnea de doador vivo para transplante autólogo ou alógeno de células-tronco epiteliais. MÉTODOS: Vinte pacientes doadores de tecido límbico foram avaliados (17 para transplante autólogo e 3 para alógeno). Os exames citológicos foram realizados em dois momentos: antes da ceratectomia, que removeu tecido límbico dos quadrantes superior e inferior, e após o terceiro mês pós-operatório. RESULTADOS: Invasão de células da conjuntiva em direção ao centro além da margem da ceratectomia não ocorreu em nenhum olho estudado. Uma pequena área de conjuntivalização parcial, confirmada pela presença de células caliciformes, foi detectada dentro do limite da ceratectomia em 10% dos casos. CONCLUSÃO: A superfície central da córnea manteve-se transparente demonstrando que a manipulação de tecido límbico em doador vivo foi um procedimento seguro neste grupo de pacientes. Uma pequena porcentagem dos olhos pode ter o local do sítio da ceratectomia re-epitelizado com células da conjuntiva sobre a periferia da córnea.
Keywords: Células-tronco; Técnicas citológicas; Limbo da córnea; Células caliciformes; Células epiteliais; Doadores vivos; Transplante autólogo
Abstract
OBJETIVO: Estabelecer a definição, classificação e estadiamento e desenvolver recomendações para o diagnóstico e tratamento da alergia ocular, usando o método Delphi de consenso. MÉTODOS: Dez especialistas em alergia ocular da América Latina participaram do painel. Quatro rodadas de questionários foram respondidas pelos painelistas. Consenso foi definido quando houve 2/3 ou mais de concordância. Os aspectos principais avaliados foram: definição, classificação, estadiamento e recomendações para diagnóstico e tratamento da alergia ocular. RESULTADOS: "Alergia Ocular" foi proposto como termo geral para descrever as doenças alérgicas oculares. Consenso sobre classificação não foi atingido. Sinais e sintomas foram considerados extremamente importantes para o diagnóstico. Consenso foi atingido sobre a necessidade de se estabelecer um sistema de estadiamento baseado na gravidade da doença. Controle ambiental e de exposição a alérgenos e o uso de lágrimas artificiais foram considerados tratamento de primeira linha e o uso tópico de anti-histamínicos, estabilizadores de membranas de mastócitos e drogas de ação múltipla, como tratamento de segunda linha. Anti-inflamatórios não hormonais tópicos e vasoconstrictores não foram recomendados. Corticosteroides tópicos foram estabelecidos como terceira linha de tratamento para casos graves de ceratoconjuntivite. Consenso não foi obtido em relação ao uso sistêmico de corticosteróides e imunossupressores. Abordagem cirúrgica e tratamentos não convencionais não foram recomendados de rotina. CONCLUSÃO: O desafio de criar recomendações para diversos aspectos da alergia ocular mostrou-se muito complexo, muitos deles permanencendo ainda controversos. Consensos mais amplos podem ser necessários para melhorar as recomendações atuais referentes a importantes aspectos da alergia ocular.
Keywords: Questionários; Consenso; Conjuntivite alérgica; Ceratoconjuntivite; Corticosteroides; Imunossupressores
Abstract
Este trabalho tem como objetivo avaliar a eficácia de uma nova técnica cirúrgica denominada SLET (simple limbal epithelial transplantation), um procedimento promissor que reduz os riscos de indução de deficiência límbica iatrogênica no olho doador. Quatro pacientes com deficiência límbica total unilateral, secundária a queimadura química, receberam um enxerto de células límbicas, medindo 4 mm x 2 mm, do olho contralateral sadio, em apenas um tempo cirúrgico. Este foi divido em 10 a 20 fragmentos e distribuído sobre a superfície da córnea. Após 6 meses de cirurgia, superfície corneana totalmente epitelizada e avascular foi obtida em dois pacientes. Houve melhora da acuidade visual em um paciente. Não houve aderência dos enxertos de limbo na córnea em um paciente. Nenhum paciente apresentou efeitos colaterais graves decorrentes do procedimento cirúrgico.
Keywords: Queimaduras; Limbo da córnea; Transplante; Transplante autólogo; Células epiteliais/transplante
Abstract
Objetivo: Demonstrar a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% como único agente antialérgico versus o colírio de cromoglicato de sódio 4% no tratamento de ceratoconjuntivite primaveril (CCP). Métodos: Ensaio clínico randomizado duplo-mascarado comparando a eficácia do colírio de tacrolimus 0,03% 3 vezes ao dia, versus o colírio de cromoglicato 4% 3 vezes ao dia, no controle dos sintomas e sinais de pacientes com o diagnóstico de ceratoconjuntivite primaveril, durante o período de 3 meses, com avaliações nos dias 0, 15, 30, 45 e 90. Acuidade visual, pressão intraocular e outras possíveis complicações foram avaliadas para determinar segurança e efeitos adversos. Resultados: Dezesseis pacientes foram incluídos no estudo, sendo que oito fizeram uso de colírio de tacrolimus 0,03% (Grupo 1) e oito fizeram uso de colírio de cromoglicato de sódio 4% (Grupo 2). Dois pacientes do Grupo 2 foram excluídos da análise dos dias 45 e 90, devido à necessidade de utilização de corticosteroide tópico. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (81,8%) e 56,3% apresentavam a doença em sua forma limbar. Houve diferença estatisticamente significativa entre os Grupos 1 e 2 em relação à graduação de severidade para os sintomas de prurido no dia 90 (p=0,001), sensação de corpo estranho no dia 15 (p=0,042), fotofobia no dia 30 (p=0,041) e para os sinais de atividade inflamatória limbar nos dias 15 (p=0,011), 30 (p=0,007) e 45 (p=0,015), e ceratite no dia 30 (p=0,048). Nenhum efeito adverso relevante foi notado, exceto queixa de queimação ocular quando da instilação de tacrolimus, o que não comprometeu à adesão ao tratamento. Conclusão: O colírio de tacrolimus 0,03% foi superior ao colírio de cromoglicato de sódio 4% comparando a graduação de severidade para os sintomas de prurido, sensação de corpo estranho e fotofobia, assim como para os sinais de atividade inflamatória limbar e ceratite, em determinados períodos de tempo durante o seguimento.
Keywords: Conjuntivite alérgica; Antialérgicos; Tacrolimo; Soluções oftálmicas; Cromolina sódica
Abstract
Objetivo: Avaliar o uso da injeção supratarsal de triancinolona na ceratocon junti vite primaveril grave (VKC) em crianças. Métodos: Pacientes com VKC grave associada à ceratite, limbo gelatinoso e/ou papilas gigantes, com história de recidivas e resistência a agentes antialérgicos tópicos convencionais foram incluídos neste ensaio clínico. Os pacientes foram tratados com injeção de 20 mg de acetato de triancinolona supratarsal. Resultados: A análise incluiu 23 olhos de 17 pacientes com ceratoconjuntivite alérgica grave. A idade média foi de 12,3 com intervalo de 7-19 anos. O tempo médio de acompanhamento foi de 39,3 meses (DP 19,21). Dos 17 pacientes, a doença foi controlada com sucesso por uma média de 3,6 meses (intervalo 1-16) em que os sinais e sintomas foram significativamente melhorados com resolução completa do edema palpebral e quemose conjuntival, redução significativa de pannus, ceratite e redução do tamanho das papilas gigantes. Conclusão: O tratamento da VKC grave em crianças com injeção supratarsal de 20 mg de acetato de triancinolona mostrou resultados satisfatórios, sendo bem tolerada pelas crianças às quais foram submetidas, podendo constituir uma opção segura para casos graves e difíceis de VKC. Uma melhora significativa foi encontrada nos sinais e sintomas alérgicos oculares, com diminuição da frequência de recidivas agudas, no entanto sem se mostrar efetiva para a completa remissão da doença.
Keywords: Pálpebras/efeitos de drogas; Ceratoconjuntivite/quimioterapia; Conjuntivite alérgica/quimioterapia; Injeções; Triancinolona acetonida/administração & dosagem
Abstract
Objetivos: O tratamento da ceratoconjuntivite alérgica baseado em colírios que contenham anti-histamínicos ou cromoglicato de sódio e seus derivados geralmente são insuficientes. A adição de corticosteróides geralmente é mandatória. No entanto, o risco de complicações como glaucoma e catarata limita o uso dos corticosteróides em curtos períodos de tratamento resultando em respostas inadequadas a longo prazo. Drogas imunossupressoras vem sendo consideradas como uma opção terapêutica alternativa válida para as ceratoconjuntivite atópica (AKC) e ceratoconjuntivite vernal (VKC). Este trabalho tem como objetivo avaliar a melhora nos sinais clínicos durante o uso de tacrolimus (TCL) tópico em crianças com ceratoconjuntivites alérgicas. Métodos: Pacientes com ceratoconjuntivite alérgica severa associada a ceratites, infiltrados limbares gelatinosos e/ou papilas gigantes, com história de recorrências e resistência ao tratamento anti-alérgico tópico convencional foram incluídos neste estudo. Os pacientes foram tratados com TCL 0,03% pomada tópica para uso ocular. Um escore variando de 0 a 9 foi atribuído para os sinais observados na biomicroscopia antes e depois do tratamento. Quanto maiores os escores, mais severos eram os sinais. Resultados: Foram estudados 66 olhos de 33 pacientes. Antes do tratamento a média do escore para o olho direito foi 5,56 ± 1,18 e para o olho esquerdo 5,94 ± 1,16. Após o tratamento com TCL a média do escore para o olho direito foi 2,76 ± 1,5 e para o olho esquerdo 2,86 ± 1,64 (p<0.001 para os dois olhos). O tempo de seguimento médio foi de 13 meses (12-29 meses). Conclusão: O presente estudo sugere que o TCL tópico foi efetivo e demonstrou resultado satisfatório, com melhora nos sinais clínicos na ceratoconjuntivite alérgica em crianças, constituindo uma nova opção para o tratamento de casos severos de alergia ocular.
Keywords: Córnea; Tacrolimo/uso terapêutico; Conjuntivite alérgica/quimioterapia
Abstract
Objetivo: Relatar uma técnica simplificada de ceratoplastia endotelial da membrana de Descemet (DMEK) que envolve a preparação e a introdução seguras e eficazes, a orientação correta e o fácil desdobramento do enxerto doador dentro da câmara anterior receptora.
Métodos: Neste estudo retrospectivo, foram revisados e avaliados os resultados cirúrgicos de 26 olhos de 23 pacientes consecutivos (idade média: 61,2 ± 11,4 anos, intervalo: 39 a 82 anos) com distrofia corneana endotelial de Fuchs (n=19) ou ceratopatia bolhosa (N=7) submetidos à técnica "Samba", método de DMEK simplificado, no Hospital Oftalmológico de Sorocaba, Banco de Olhos de Sorocaba, Sorocaba, Brasil, entre agosto de 2011 e julho de 2012.
Resultados: Dos 26 olhos operados, apenas 2 olhos (7,7%) apresentaram descolamento parcial do enxerto que necessitou de nova injeção de ar na câmara anterior "re-bubble", e nesses olhos o enxerto foi posicionado com sucesso com o procedimento de "re-bubble". Nenhum dos 26 olhos apresentaram falência primária do enxerto ou perda de tecido, ou bloqueio pupilar. Todos os pacientes com bom potencial visual obtiveram a acuidade visual melhor corrigida de 20/30 ou melhor e 82,6% tinham acuidade visual melhor corrigida de 20/30 ou melhor com 1 mês de cirurgia.
Conclusão: Neste estudo retrospectivo, a técnica de Samba, um procedimento de DMEK simplificado, mostrou-se segura e eficaz, com uma taxa de "re-bubble" aceitavelmente baixa e nenhuma incidência de falência primária ou complicação com bloqueio pupilar. Além disso, a recuperação visual rápida e completa foi rapidamente alcançada. Esta técnica DMEK simplificada pode ser adotada por cirurgiões de córnea em todo o mundo como um tratamento primário para disfunção endotelial com uma curva de aprendizado rápida e baixa taxa de complicações pós-operatórias.
Keywords: Ceratoplastia endotelial com remoção da lâmina limitante; Transplante de córnea; Córnea/cirurgia
Abstract
PURPOSE: To evaluate the reliability and comparability of a Scheimpflug-based tomographer relative to a Placido-based topographer and specular microscopy in healthy eyes.
METHODS: This cross-sectional study included 40 patients (80 eyes). Each eye underwent randomized imaging with a Scheimpflug-based tomographer, a Placido-based topographer, and Tomey EM-4000 specular microscopy. Three acquisitions per device were obtained. For interdevice comparisons, the best-quality scan per eye/device was selected, whereas all three scans were used for intradevice repeatability analyses. Unreliable scans were repeated (up to five attempts) and excluded if acceptable quality was not achieved, resulting in variable denominators. Between-device comparisons were performed using generalized estimating equations
with participant-level clustering and robust standard errors and were supplemented by Bland–Altman analysis.
RESULTS: The effective sample size varied by parameter (independent summaries: 59–67 eyes; paired comparisons: 48–51 eyes). In paired-eye analyses, the Scheimpflug-based tomographer measured slightly higher keratometry values than the Placido-based topographer (K1: 43.95 vs. 43.78 D, p=0.003; K2: 44.91 vs 44.73 D, p=0.002), more negative Q-values (p=0.001), smaller photopic pupil diameter (p<0.001), and shorter kappa distance (p<0.001). Mean absolute differences were 0.32 D for K1 and 0.30 D for K2, with high dispersion for angular metrics (kappa angle coefficient of variation: 195%).
CONCLUSIONS: The Scheimpflug-based tomographer provides reproducible corneal measurements in healthy eyes. However, systematic differences relative to the Placido-based topographer—particularly for keratometry, asphericity, and pupil and kappa metrics—suggest limited interchangeability. Consistent device use is recommended when these parameters inform clinical decision-making.
Keywords: Scheimpflug tomography; Placido topography; Specular microscopy; keratometry; Corneal imaging; Refractive surgical procedures; Lenses, intraocular
Abstract
Objetivo: Comparar as diferenças entre a chord aparente µ e o chord real µ.
Métodos: Estudo prospectivo, comparativo, não randomizado e não intervencionista. Os exames de imagem (Pentacam e HD Analyzer) foram realizados na mesma sala e nas mesmas condições escotópicas. Os critérios de inclusão foram idade de 21 a 71 anos; compreensão do termo de consentimento; miopia até 4D e astigmatismo topográfico anterior até 1D. Os critérios de exclusão foram usuários de lentes de contato; pacientes com doenças oculares prévias ou cirurgias; opacidades da córnea; a presença de alterações tomográficas da córnea ou suspeita de ceratocone.
Resultados: Em nosso estudo foram analisados 116 olhos de 58 pacientes. A média de idade foi de 30,69 anos (± 7,85). Análises de correlação foram desenvolvidas e o coeficiente de correlação de Pearson (0,647) indica uma relação linear positiva moderada entre as variáveis. A média do chord µ real foi 226,21± 128,53 µm e a média do chord µ média foi 278,66 ± 123,90 µm, com diferença média de 52,45 µm (p=0,01).
A análise do diâmetro pupilar médio apresentou: 5,76mm no HD Analyzer e 3,31mm no Pentacam.
Conclusões: Entendemos a existência de uma diferença significativa entre os métodos e assim a medida de ambos os dispositivos com base em princípios diferentes devemos respeitar suas peculiaridades. Como encontramos correlação entre as duas medidas, acreditamos que ambas podem ser utilizadas na prática diária.
Keywords: Imagem óptica; Percepção visual; Pupila; Segmento anterior do olho; Córnea; Técnicas de diagnóstico oftalmológico
ABO is licensed under a Creative Commons Attribution-NonComercial 4.0 Internacional.
About
Issues
Editorial Board
Submission
Official publication of Conselho Brasileiro de Oftalmologia
Rua Casa do Ator, 1.117 - 2º andar - CEP: 04546-004
São Paulo - SP, Brazil
Phone: +55 11 3266-4000