Arq. Bras. Oftalmol. 2004;67 (1 )
:37-41
| DOI: 10.1590/S0004-27492004000100007
Abstract
OBJETIVO: Estudar a eficácia da associação de testes diagnósticos na detecção de pacientes com glaucoma. MÉTODOS: Quarenta e seis olhos de 46 indivíduos com relação escavação/disco >0,4 ou com assimetria de escavação >0,2 foram submetidos a tonometria, campimetria de estímulos supraliminares (CES) e limiares (CEL). A seleção dos pacientes foi realizada por meio de oftalmoscopia direta e a campimetria de estímulos liminares foi adotada como padrão-ouro ("gold standard") para o diagnóstico de glaucoma. RESULTADOS: A probabilidade de haver alterações na campimetria de estímulos liminares em olhos com relação escavação/disco >0,4 foi de 34,8% (valor preditivo positivo). A sensibilidade, especificidade e os "likelihood ratios" positivo e negativo da campimetria de estímulos supraliminares foram, respectivamente, 75%, 93%, 10,7 e 0,27. Para a tonometria esses valores foram respectivamente 19%, 90%, 1,9 e 0,9. A associação do exame supraliminar com o exame do disco óptico aumentou a probabilidade de haver alterações na campimetria de estímulos liminares de 34,8% para 85% se o primeiro for positivo (alterado) e diminui para 12% se este for negativo (normal). Quando o exame do disco é associado à tonometria, a probabilidade inicial aumenta de 34,8% apenas para 50% se o teste for positivo (PO>20 mmHg) e diminui para 32% se o teste for negativo (PO<20mmHg). CONCLUSÃO: A eficácia em identificar pacientes com glaucoma foi maior quando a oftalmoscopia direta foi associada ao exame de campimetria de estímulos supraliminares do que quando foi associada à tonometria.
Keywords: Glaucoma; Tonometria; Perimetria; Cegueira; Disco óptico; Degeneração macular; Seleção visual
Arq. Bras. Oftalmol. 2007;70 (1 )
:153-155
| DOI: 10.1590/S0004-27492007000100029
Abstract
OBJETIVO: Relatar o caso de uma mulher de 33 anos de idade, com o diagnóstico de neuromielite óptica (síndrome de Devic) acometendo o quiasma óptico que apresentou um escotoma incomum no exame de campo visual. MÉTODOS: Uma paciente do sexo feminino, portadora de parestesias nos membros inferiores, fraqueza nas pernas, disfunção da defecação e disfunção urinária, foi encaminhada para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo em outubro do ano de 1995. Seis anos e quatro meses mais tarde ela sofreu acometimento visual agudo. Foram realizados exame oftalmológico completo, exame de líquor, ressonância nuclear magnética e um exame de campo visual no perímetro de Humphrey. RESULTADOS: A ressonância magnética revelou espessamento e imagens de cavitações na medula espinal, assim como espessamento do quiasma óptico, acompanhado de aumento na captação do contraste. Não apareceu imagem sugestiva de processo desmielinizante no cérebro, tronco cerebral ou cerebelo. O exame 24-2 (campo visual central) demonstrou defeito bitemporal inferior, revelando assim o comprometimento do chiasma. CONCLUSÃO: Comprometimento do quiasma óptico pode ocorrer nos casos de neuromielite óptica, provavelmente devido a uma placa de desmielinização ocorrendo no quiasma. Os autores enfatizam a importância do exame de campo visual para quantificar o comprometimento das vias ópticas e acompanhar a evolução destes pacientes.
Keywords: Hemianopsia; Neuromielite óptica; Quiasma óptico; Escotoma; Perimetria; Neurite óptica