Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (6 )
:531-537
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210080
Abstract
Objetivo: Comparar a qualidade das imagens da retina capturadas com um retinógrafo portátil acoplado a um smartphone com aquelas adquiridas com um retinógrafo comercial padrão e analisar a concordância na determinação da relação escavação/ cabeça do nervo óptico em um coorte de pacientes de um serviço oftalmológico.
Métodos: Cinquenta pacientes de um serviço oftalmológico secundário foram submetidos a uma avaliação do fundo de olho bilateral, sob midríase, utilizando o retinógrafo portátil acoplado a um smartphone e o retinógrafo comercial padrão (4 imagens por paciente). Dois oftalmologistas experientes avaliaram a qualidade de todas as imagens e atribuíram a elas uma pontuação entre 1 e 5, de acordo com a escala Likert. Os fatores relacionados a qualidade das imagens foram avaliados utilizando uma análise de regressão multivariada. Dois oftalmologistas determinaram de forma mascarada a relação da escavação/ cabeça do nervo óptico de cada imagem e a concordância intra e interobservador foi calculada.
Resultados: Noventa e oito imagens de 49 pacientes foram utilizadas neste estudo para análise de qualidade. Dez imagens de cinco pacientes (quatro do retinógrafo comercial padrão e um do retinógrafo portátil acoplado a um smartphone) foram excluídas das análises de concordância devido à baixa qualidade das mesmas, mas foram considerados nas análises de qualidade. Dos cinco pacientes com imagens excluídas, quatro foram capturadas pelo retinógrafo comercial padrão e uma pelo retinógrafo portátil acoplado a um smartphone. As medianas (intervalo interquartil) da qualidade das imagens não apresentaram diferença estatística entre o retinógrafo portátil acoplado a um smartphone e o retinógrafo comercial padrão (4 [4-5] versus 4 [3-4] respectivamente, p=0.06). As imagens obtidas com o retinógrafo comercial padrão e o diagnóstico de opacidade de meios apresentou uma correlação negativa com a qualidade da imagem. As concordâncias intraobservador (ICC =0,82, p<0,001 e 0,83, p<0,001, para o examinador 1 e 2, respectivamente) e interobservador (ICC = 0,70, p=0,001 e 0,81, p<0.001, para o retinógrafo portátil acoplado a um smartphone e retinógrafo comercial padrão, respectivamente) foram excelentes e estatisticamente significativas.
Conclusões: Nossos resultados sugerem que o retinógrafo portátil acoplado a um smartphone apresenta uma qualidade de imagem semelhante ao retinógrafo comercial padrão, com concordância significativa na análise da relação escavação-cabeça do nervo óptico. Além dos bons resultados apresentados, o retinógrafo portátil acoplado a um smartphone pode ser considerado uma alternativa portátil de baixo custo para documentação de retina em cenários futuros de telemedicina.
Keywords: Fotografia/instrumentação; Smartphone; Nervo óptico; Telemedicina
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (6 )
:538-542
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210090
Abstract
Objetivo: Investigar se as aberrações da córnea e as amplitudes de acomodação alteram mais em pacientes com esclerose múltipla do que em populações normais.
Métodos: Vinte pacientes previamente diagnosticados com esclerose múltipla com envolvimento do nervo óptico (grupo com eslerose múltipla) e 20 indivíduos saudáveis pareados por sexo e idade (grupo controle) foram incluídos no estudo. Pacientes com menos de 40 anos de idade foram incluídos em ambos os grupos devido à deterioração significativa de acomodação em pacientes com mais de 40 anos de idade. Para cada participante, a amplitude de acomodação foi medida em dioptrias pelo teste de lentes negativas e as aberrações de alta ordem foram avaliadas com o aberrômetro iDesign. Em seguida, a amplitude de acomodação e a média da raiz quadrada de aberrações de alta ordem foram comparadas entre os grupos.
Resultados: As médias da idade dos grupos com esclerose múltipla e controle foram 35,25 ± 4,52 anos e 32,28 ± 6,83 anos, respectivamente (p=0,170). A amplitude de acomodação foi de 4,05 ± 1,25 D no grupo com esclerose múltipla e 6,00 ± 1,03 D no grupo controle. A diferença entre os com esclerose múltipla e o grupo controle foi estatisticamente significativa (p<0, 001). A média da raiz quadrada das aberrações de alta ordem não foi significativamente diferente entre os grupos (com esclerose múltipla, 0,44 ± 0,22; controle, 0,43 ± 0,10, p<0,824). Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em termos de alterações de aberrações entre a linha de base e o estímulo 5 D.
Conclusões: Este estudo mostra que a amplitude de acomodação diminuiu em pacientes com esclerose múltipla. Portanto, esses resultados podem causar possíveis razões de deficiências visuais transitórias em pacientes com esclerose múltipla. No entanto, esta diferença de amplitude de acomodação não fez uma diferença significativa entre os grupos quanto à alteração das aberrações de alta ordem durante a acomodação.
Keywords: Acomodação ocular; Esclerose múltipla; Nervo óptico
Arq. Bras. Oftalmol. 2021;84 (2 )
:140-148
| DOI: 10.5935/0004-2749.20210022
Abstract
OBJETIVO: Determinar o grau de deficiência visual em crianças com tumores da via óptica incapazes de informar a acuidade visual de reconhecimento.
MÉTODO: A acuidade visual de grades, em logMAR, foi estimada por potenciais visuais evocados de varredura em crianças com tumores das vias ópticas. O déficit da acuidade visual de grades binocular foi calculado em relação ao valor mediano normativo esperado para a idade e a deficiência visual, classificada como leve (0,10 a 0,39 logMAR), moderada (0,40 a 0,79 logMAR) ou grave (≥0,80 logMAR). Diferenças inter-oculares foram calculadas por subtração e consideradas aumentadas se >0,10 logMAR.
RESULTADOS: Foram avaliadas 25 crianças (13 meninos; média de idade ± DP=35,1± 25,9 meses; mediana=32,0 meses) com tumores da via óptica (24 gliomas e 1 tumor embrionário) localizados particularmente na transição hipotalâmico-quiasmática (n=21; 84,0%) e com anormalidades visuais detectadas pelos pais (n=17; 68,0%). A média do déficit da acuidade de grades foi 0,60 ± 0,36 logMAR (mediana=0,56 logMAR). Observou-se deficiência visual leve em 10 (40,0%), moderada em 8 (32,0%) e grave em 7 (28,0%), além de aumento da diferença interocular da acuidade visual (n=16; 64,0%). As principais alterações oftalmológicas encontradas foram: nistagmo (n=17; 68,0%), aumento da escavação do disco óptico e/ou palidez (n=13; 52,0%), estrabismo (n=12; 48,0%) e comportamento visual pobre (n=9; 36,0%).
CONCLUSÃO: Em crianças com tumor da via óptica e incapazes de responder aos testes de acuidade visual de reconhecimento, foi possível quantificar deficiência visual por meio dos potenciais visuais evocados de varredura e avaliar a diferença interocular da acuidade visual de grades. A gravidade do déficit da acuidade visual de grades relacionado à idade e a diferença interocular da acuidade visual de grades foram congruentes com alterações oftalmológicas e neuroimagem. O déficit da acuidade visual de grades foi útil à caracterização do estado visual em crianças com tumores da via óptica e ao embasamento da assistência neuro-oncológica.
Keywords: Transtornos da visão; Potenciais evocados visuais; Acuidade visual; Vias visuais; Glioma do nervo óptico; Criança
Arq. Bras. Oftalmol. 2022;85 (2 )
:166-173
| DOI: 10.5935/0004-2749.20220034
Abstract
Objetivos: Mensurar a perfusão do complexo retina/coróide com ressonância magnética em olhos com fechamento angular primário agudo (FAPA).
Métodos: Três sequências de ressonância magnética, duas anatômicas e uma de perfusão com gadolínio, foram adquiridas em pacientes com fechamento angular primário agudo. Regiões de interesse foram desenhadas na sequência de perfusão e sobrepostas à sequência anatômica. O volume de sangue relativo nos 2 primeiros segundos foi considerado como referência, e sua variação nos 28 segundos subsequentes foi analisada.
Resultados: Cinco olhos de 5 pacientes com fechamento angular primário agudo foram incluídos (3 com crise unilateral e 2 com crise bilateral). Três olhos contralaterais e 2 olhos de 2 pacientes saudáveis, pareados por sexo e idade, foram incluídos no grupo controle. Pacientes com fechamento angular primário agudo incluíam 4 (80%) mulheres, com idade média de 65,8 ± 12,37 anos, pressão intraocular média de 56,2 ± 14,67 mmHg, pressão arterial média de 113,4 ± 8,17 mmHg e pressão de perfusão ocular de 57,2 ± 13,46mmHg. No grupo controle, pressão intraocular média foi de 15,6 ± 2,61 mmHg (p=0,0625), pressão arterial média de 107,4 ± 6,57 mmHg (p=1,00) e pressão de perfusão ocular de 91,8 ± 6,72 mmHg (p=0,0625). O volume de sangue relativo do complexo retina/coróide foi de -0,127 ± 0,048 nos olhos em fechamento angular primário agudo e -0,213 ± 0,116 nos olhos controles (p=0,3125).
Conclusões: A sequência de ressonância magnética com gadolínio não demonstrou diferença na perfusão de retina/coroide em olhos com fechamento angular primário agudo.
Keywords: Glaucoma de ângulo fechado; Imagem por ressonância magnética; Gadolínio; Retina; Perfusão
Arq. Bras. Oftalmol. 2025;88 (5 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2024-0103
Abstract
PURPOSE: This study aimed to evaluate abnormalities in the retinal nerve fiber layer and ganglion cell layer in patients with thyroid-associated orbitopathy using optical coherence tomography and to examine their relationship with disease severity.
METHODS: A cross-sectional study was conducted involving 74 participants, comprising 45 individuals with thyroid-associated orbitopathy and 29 healthy controls. All subjects underwent a comprehensive ophthalmological examination and optical coherence tomography using the Cirrus HD-OCT. The clinical activity score and the European Group on Graves’ Orbitopathy severity were also evaluated.
RESULTS: In the thyroid-associated orbitopathy group, the mean peripapillary retinal nerve fiber layer thickness was significantly reduced in the temporal quadrant (p<0.05). No significant differences were found in ganglion cell layer thickness across all sectors when compared with the control group. Besides, a significant correlation was observed between orbitopathy severity and decreased mean peripapillary retinal nerve fiber layer thickness (p<0.001).
CONCLUSION: Optical coherence tomography may serve as a useful tool for identifying changes in the retinal nerve fiber layer and ganglion cell layer in patients with thyroid-associated orbitopathy, including in the inactive phase and prior to the clinical manifestation of dysthyroid optic neuropathy. It may be a helpful adjunct in monitoring disease progression.
Keywords: Graves’ ophthalmopathy; Optic nerve disorders; Retinal nerve fiber layer; Retinal ganglion cells; Optical coherence tomography
Arq. Bras. Oftalmol. 2026;89 (5 )
:1-9
| DOI: 10.5935/0004-2749.2025-0377
Abstract
PURPOSE: To evaluate the agreement between optic nerve head structural parameters obtained using swept-source optical coherence tomography and the Laguna ONhE software.
METHODS: This retrospective cross-sectional study included 353 eyes from healthy individuals, glaucoma suspects, ocular hypertensive patients, and patients with glaucoma. Optic nerve head parameters — including disc area, vertical and area cup-to-disc ratios, and rim volume — were measured using swept-source optical coherence tomography and Laguna ONhE. Agreement between methods was assessed using Bland–Altman analysis. A regression-based calibration model was developed for disc area measurements.
RESULTS: Laguna ONhE systematically underestimated disc area (p < 0.001) and cup-to-disc ratios (p<0.001) and overestimated rim volume (p=0.0002) compared with swept-source optical coherence tomography. After applying the calibration equation for disc area, agreement improved substantially, with no statistically significant bias (p=0.3).
CONCLUSION: Laguna ONhE provides structural estimates comparable with those obtained with swept-source optical coherence tomography after calibration, suggesting it may serve as a practical and cost-effective alternative for glaucoma evaluation.
Keywords: Glaucoma; Optic nerve head; Laguna ONhE; Optical coherence tomography; Agreement
Arq. Bras. Oftalmol. 2024;87 (2 )
:1-6
| DOI: 10.5935/0004-2749.2021-0435
Abstract
PURPOSE: This study aimed to analyze the association between magnetic resonance imaging apparent diffusion coefficient map value and histopathological differentiation in patients who underwent eye enucleation due to retinoblastomas.
METHODS: An observational chart review study of patients with retinoblastoma that had histopathology of the lesion and orbit magnetic resonance imaging with apparent diffusion coefficient analysis at Hospital de Clínicas de Porto Alegre between November 2013 and November 2016 was performed. The histopathology was reviewed after enucleation. To analyze the difference in apparent diffusion coefficient values between the two major histopathological prognostic groups, Student's t-test was used for the two groups. All statistical analyses were performed using SPSS version 19.0 for Microsoft Windows (SPSS, Inc., Chicago, IL, USA). Our institutional review board approved this retrospective study without obtaining informed consent.
RESULTS: Thirteen children were evaluated, and only eight underwent eye enucleation and were included in the analysis. The others were treated with photocoagulation, embolization, radiotherapy, and chemotherapy and were excluded due to the lack of histopathological results. When compared with histopathology, magnetic resonance imaging demonstrated 100% accuracy in retinoblastoma diagnosis. Optic nerve invasion detection on magnetic resonance imaging showed a 66.6% sensitivity and 80.0% specificity. Positive and negative predictive values were 66.6% and 80.0%, respectively, with an accuracy of 75%. In addition, the mean apparent diffusion coefficient of the eight eyes was 0.615 × 103 mm2/s. The mean apparent diffusion coefficient value of poorly or undifferentiated retinoblastoma and differentiated tumors were 0.520 × 103 mm2/s and 0.774 × 103 mm2/s, respectively.
CONCLUSION: This study revealed that magnetic resonance imaging is useful in the diagnosis of retinoblastoma and detection of optic nerve infiltration, with a sensitivity of 66.6% and specificity of 80%. Our results also showed lower apparent diffusion coefficient values in poorly differentiated retinoblastomas with a mean of 0.520 ×
103 mm2/s, whereas in well and moderately differentiated, the mean was 0.774 × 103 mm2/s.
Keywords: Retinoblastoma; Prognosis; Retinal neoplasms; Orbit; Diffusion magnetic resonance imaging