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Search for: Blepharoplasty; Intravital microscopy; Lissamine green dyes; Fluorescein; Severity of illness index; Dry eye syndromes
Abstract
Objetivo: Estimar a prevalência e os fatores de risco para os sintomas e o diagnóstico clínico da doença do olho seco na cidade de São Paulo, estado de São Paulo, Brasil.
Métodos: Quinhentos e oitenta e dois participantes acima de 18 anos, residentes na zona leste da cidade de São Paulo responderam a um questionário de três perguntas sobre olho seco. A doença do olho seco foi definida pela presença de sintomas severos ou diagnóstico clínico prévio de doença do olho seco por um oftalmologista. A associação entre doença do olho seco e possíveis fatores de risco foi avaliada.
Resultados: A prevalência de sintomas graves da doença do olho seco e/ou diagnóstico clínico foi calculada em 24,4% para ambos os sexos. O sexo feminino apresentou uma frequência maior de sintomas severos da doença do olho seco (16,07%) que o sexo masculino (8,48%; p=0,0244), assim como a associação de sintomas severos ou diagnóstico de doença do olho seco, foi de 26,86% no sexo feminino e 18,18% no sexo masculino (p=0,0366). No sexo feminino, a faixa etária entre 55 e 75 anos de idade foi associada com sintomas severos da DOS (odds ratios (OR) = 3,11; IC 95% 1,56-6,23; p=0,001) e com doença do olho seco diagnosticada (OR=2,02; IC 95% 1,04-3,93; p=0,037). Hipertensão foi associado com sintomas da doença do olho seco (OR=1,98; IC 95% 1,14-3,43; p=0,015) e diagnóstico da doença do olho seco (OR=3,54; IC 95% 1,92-6,53; p=0,001) no sexo feminino. Uso de colírios foi associado a sintomas severos e diagnóstico da doença do olho seco em ambos os sexos (p≤0,01).
Conclusão: A prevalência da doença do olho seco na cidade de São Paulo é mais frequente no sexo feminino que no masculino. Idade e hipertensão foram fatores de risco maiores para doença do olho seco no sexo feminino, enquanto uso de colírios foi um indicador de doença do olho seco para ambos os sexos.
Keywords: Síndromes do olho seco; Superfície ocular; Questionários e inquéritos
Abstract
Objetivo: Descrever as manifestações oftalmológicas observadas em pacientes com artrite psoriásica atendidos no Serviço de Reumatologia da Universidade do Estado do Pará.
Métodos: Estudo transversal. A amostra foi composta por 23 pacientes com artrite psoriásica, segundo os critérios de Caspar, atendidos no ambulatório de reumatologia da Universidade do Estado do Pará. Para avaliação da atividade de doença foi aplicado o Clinical Disease Activity index for Psoriatic Arthritis e, posteriormente, foi realizado o exame oftalmológico (acuidade visual com correção para distância, biomicroscopia, tonometria de aplanação de Goldmann, fundoscopia, teste de Schirmer I, tempo de ruptura do filme lacrimal, lissamina verde e questionário The Ocular Surface Disease Index).
Resultados: Nesta pesquisa não houve predomínio entre os sexos e a população tinha uma mediana de idade de 47,78 anos. As manifestações mais comuns foram olho seco (60,9%), catarata (56,5%), blefarite (47,8%), ceratite (43,5%), meibomite (30,4%) e pterígio (26,1%).
Conclusão: As manifestações oculares encontradas em pacientes com artrite psoriásica são variadas e afetam sobretudo a superfície ocular; no entanto, são clinicamente subestimadas; por isso recomenda-se o acompanhamento oftalmológico regular e periódico para pacientes com artrite psoriásica.
Keywords: Artrite psoriásica; Manifestação ocular; Ceratoconjuntivite seca; Síndrome do olho seco; Blefarite
Abstract
Objetivo: O objetivo deste estudo é investigar os efeitos dos antidepressivos tricíclicos, dos inibidores da recaptação da serotonina e dos inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina na superfície ocular.
Métodos: Foram incluídos no estudo 330 olhos de 165 pacientes em uso de antidepressivos e 202 olhos de 101 controles. Foi medido o tempo de ruptura do fluido lacrimal e foram administrados o teste de Schirmer I e o questionário Ocular Surface Disease Index (OSDI). Os Inventários de Depressão e de Ansiedade de Beck foram aplicados ao uso dos medicamentos e foram registrados as dosagens, a duração da doença psiquiátrica e o tempo de remissão.
Resultados: No grupo de estudo, o tempo médio de ruptura do fluido lacrimal foi de 14,29 ± 4,81 segundos (intervalo de 4-26 segundos) e o valor médio do teste de Schirmer I foi de 16,05 ± 5,89 mm (intervalo de 2-28 mm). No grupo controle. o tempo médio de rompimento do fluido lacrimal foi de 18,16 ± 2,12 segundos (intervalo de 15-24 segundos) e o valor do teste de Schirmer I foi de 16,64 ± 2,31 mm (intervalo de 15-24 mm), com p<0,001 e p=0,005, respectivamente. No grupo de estudo, 38,18% (n=63) dos pacientes tinham olho seco, enquanto no grupo controle 17% (n=18) tinham olho seco (p<0,001). O escore médio no OSDI foi de 82,56 ± 16,21 (intervalo 66-100) no grupo dos antidepressivos tricíclicos, 60,02 ± 29,18 (10-100) no grupo dos inibidores da recaptação da serotonina e 22,30 ± 20,87 (0-75) no grupo dos inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (p<0,001). O tempo médio de rompimento do fluido lacrimal foi de 14,36 ± 3,35 segundos (intervalo de 10-20 segundos) no grupo dos antidepressivos tricíclicos, 13,94 ± 5,81 segundos (intervalo de 4-26 segundos) no grupo dos inibidores da recaptação de serotonina e 14,93 ± 4,20 segundos (intervalo de 6-20 segundos) no grupo dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (p=0,730). O valor médio do teste de Schirmer I foi de 9,90 ± 7,22 mm (intervalo de 2-30 mm) no grupo dos antidepressivos tricíclicos, 15,55 ± 5,15 mm (intervalo de 2-25 mm) no grupo dos inibidores da recaptação da serotonina e 17,71 ± 4,21 mm (intervalo de 10-30 mm) no grupo dos inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (p<0,001). Não houve diferença estatisticamente significativa no escore OSDI, no tempo de ruptura do fluido lacrimal e nos valores do teste de Schirmer I entre os subgrupos de pacientes em uso de inibidores da recaptação de serotonina e de inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina.
Conclusões: Olho seco é uma queixa comum em usuários de antidepressivos, mas no que diz respeito à superfície ocular, inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina podem ser mais confiáveis que outros antidepressivos. Pacientes em uso de inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina têm escores menores no questionário OSDI. Os inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina, úteis nas síndromes de dor crônica, também podem ter um efeito corretivo nos sintomas de olho seco.
Keywords: Inibidores de recaptação de serotonina; Antidepressivos tricíclicos; Serotonina; Depressão; Dor crônica; Síndromes do olho seco; Norepinefrina; Inquéritos e questionários; Ansiedade; Preparações farmacêuticas.
Abstract
Objetivo: Comparar a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular com a acuidade visual final dos pacientes vítimas de trauma ocular aberto atendidos em hospital no sul do Brasil.
Métodos: Foram analisados 120 olhos de 119 vítimas de trauma ocular aberto. Foi realizado um estudo observacional e retrospectivo em hospital universitário. Foram extraídos dados de prontuários relacionados a idade, sexo, olho acometido e mecanismo de trauma, bem como dados para o cálculo do Escore de Trauma Ocular (acuidade visual inicial, presença de ruptura de globo, perfuração, endoftalmite, descolamento de retina, defeito pupilar aferente) e acuidade visual final.
Resultado: Houve concordância entre a acuidade visual prevista pelo Escore de Trauma Ocular e a acuidade visual final prevista no presente estudo. A análise isolada das variáveis demonstrou significância para acuidade visual inicial (p<0,001), para descolamento de retina (p=0,001) e para defeito pupilar aferente (p<0,004). Não houve diferença significativa entre a acuidade visual final do estudo original do Escore de Trauma Ocular. e na população abordada no presente estudo.
Conclusão: O Escore de Trauma Ocular pode ser aplicado à população estudada no presente estudo como ferramenta de determinação do prognóstico visual em vítimas de trauma ocular aberto. As variáveis mais significativas são acuidade visual inicial, descolamento de retina e defeito pupilar aferente. Estudos prospectivos com amostras maiores são necessários para comprovar tal hipótese.
Keywords: Índices de gravidade do trauma; Acuidade visual; Traumatismos oculares; Prognóstico
Abstract
OBJETIVO: Traduzir e validar o questionário de olho seco e lentes de contato (CLDEQ-8) para o português e descrever o impacto das lentes de contato gelatinosas na superfície ocular.
MÉTODOS: Estudo transversal e descritivo com o objetivo de (1) traduzir e validar o CLDEQ-8 para o português e (2) aplicar o CLDEQ-8 em um grupo de usuários de lentes de contato, juntamente com uma ampla avaliação do impacto das lentes gelatinosas na superfície ocular. A avaliação do impacto das lentes gelatinosas foi realizada em uma amostra composta por 81 indivíduos, divididos em dois grupos: 61 usuários de lente de contato (Grupo A) e um grupo controle de 20 não usuários (Grupo B). Como critério de exclusão: usuário de lentes de contato rígidas, doenças sistêmicas ou oculares prévias, uso de medicamentos que podem causar danos a superfície ocular e cirurgias oculares prévias.
RESULTADOS: Para a tradução e validação do questionário CLDEQ-8, os valores de concordância Kappa foram iguais ou superiores a 0,7 em todas as perguntas, o que implica em uma boa concordância entre as versões em português e inglês. Considerando a avaliação da superfície ocular dos sujeitos, todos os parâmetros diferiram nos usuários de lente de contato em comparação com os controles (com p<0,05), exceto naqueles relacionados ao volume lacrimal, como altura do menisco lacrimal e teste de Schirmer.
CONCLUSÕES: Este estudo forneceu uma versão traduzida para o português e validada do questionário CLDEQ-8, que representa uma importante ferramenta na avaliação de usuários de lente de contato. A avaliação da superfície ocular realizada demonstra a relação entre o uso de lentes de contato gelatinosas e os distúrbios da superfície ocular.
Keywords: Lente de contato; Síndrome do olho seco; Superfície ocular; Inquérito e questionário; Reprodutibilidade de resultados
Abstract
Objetivo: Avaliar as alterações da superfície ocular em pacientes com Rosácea, e comparar com grupo controle.
Métodos: Noventa e três indivíduos foram selecionados para este estudo transversal, observacional e não intervencionista, dividido em dois grupos: rosácea (n=40) e controles (n=53). Foram avaliados parâmetros objetivos da superfície ocular (hiperemia conjuntival, estabilidade e volume do filme lacrimal, disfunção da glândula meibomiana, doença do olho seco, coloração da superfície ocular) e comparado indivíduos saudáveis com pacientes com rosácea.
Resultados: 69,23% dos indivíduos com rosácea eram mulheres, com média de idade de 47,34 ± 12,62 anos. Em comparação com controles pareados, não foram evidenciadas diferenças estatisticamente significativas em relação à acuidade visual (p=0,987) e parâmetros do filme lacrimal (altura do menisco lacrimal (p=0,338), tempo de ruptura do filme lacrimal não invasivo (p=0,228), tempo invasivo de ruptura (p=0,471) e teste de Schirmer (p=0,244), bem como hiperemia conjuntival (p=0,106) e coloração com fluoresceína (p=0,489). Associação significativa foi encontrada na avaliação da meibografia (p=0,026), integridade da camada mucosa (p=0,015) e sintomas de superfície ocular (p<0,0001). Pacientes com rosácea também apresentaram alterações importantes na borda palpebral: expressibilidade glandular (p<0,001), padrão de secreção glandular (p<0,001) e telangiectasia (p<0,001).
Conclusão: A disfunção da glândula de Meibômio está frequentemente associada a condições dermatológicas e é caracterizada por achados morfológicos na meibografia, bem como comprometimento da secreção lipídica que leva ao olho seco evaporativo e alterações da superfície ocular e inflamação.
Keywords: Rosácea/complicações; Disfunção da glândula tarsal; Túnica conjuntiva; Síndromes do olho seco; Técnicas de diagnóstico oftalmológico.
Abstract
PURPOSE: To evaluate whether specific meibomian gland morphological features can serve as diagnostic indicators of dry eye disease in patients with type 2 diabetes mellitus.
METHODS: This cross-sectional study included patients with type 2 diabetes mellitus and age-matched healthy controls. All participants underwent a comprehensive ocular surface evaluation, including the ocular surface disease index, tear break-up time, Schirmer’s I test, corneal staining, eyelid margin scoring, meibum expressibility assessment, meibography scoring, and evaluation of meibomian gland loss area. Meibomian gland morphology was assessed bilaterally. Dry eye severity was determined based on ocular surface disease index scores, tear break-up time, Schirmer’s test results, and corneal staining scores. Correlations between meibomian gland features and ocular surface parameters, age, diabetes duration, and hemoglobin A1c levels were analyzed. Receiver operating characteristic analysis was performed to determine the diagnostic value of specific meibomian gland features for dry eye disease.
RESULTS: Dry eye disease was diagnosed in 56.6% of patients with diabetes and 22.6% of controls. Compared with controls, patients with diabetes had significantly higher ocular surface disease index scores, greater corneal staining, worse meibum expressibility, increased meibomian gland loss, and lower tear break-up time and Schirmer values (all p<0.05). Meibomian gland dropout, shortening, tortuosity, distortion, overlapping, ghost glands, and lack of extension to the lid margin were significantly more prevalent in patients with diabetes (p<0.05) and showed significant correlations with age, HbA1c levels, and diabetes mellitus duration. Receiver operating characteristic analysis identified meibomian gland dropout, ghost glands, shortening, and lack of extension to the lid margin as the most predictive morphological features for dry eye disease in patients with diabetes.
CONCLUSION: Type 2 diabetes mellitus is associated with distinct meibomian gland morphological alterations that correlate with both dry eye disease severity and systemic diabetic parameters, suggesting potential diagnostic value.
Keywords: Diabetes mellitus; dry eye syndromes/diagnosis; Meibomian glands/diagnostic imaging; Meibomian gland dysfunction; type 2/complications
Abstract
PURPOSE: This study aimed to analyze ocular surface parameters and evaluate meibomian gland dysfunction using meibography in newly diagnosed patients with atopic dermatitis compared with healthy controls.
METHODS: This cross-sectional clinical study included 51 newly diagnosed patients with atopic dermatitis and 45 age- and sex-matched healthy controls. Disease severity was assessed using the Eczema Area Severity Index. The Ocular Surface Disease Index questionnaire, Schirmer test, tear meniscus height, noninvasive tear break-up time, conjunctival redness grading, and meibography staging were performed. Meibomian gland dropout was graded for each eyelid from 0 (no loss) to 3 (loss of >2/3 of the total gland area).
RESULTS: Schirmer test values, tear meniscus height, and noninvasive tear break-up time were significantly lower in the atopic dermatitis group than in the control group (p<0.001, p<0.001, and p<0.001, respectively). In contrast, Ocular Surface Disease Index scores, conjunctival redness grades, and total meiboscores were significantly higher in the atopic dermatitis group than in the control group (p<0.001, p<0.001, and p<0.001, respectively). Moreover, in the atopic dermatitis group, a significant positive correlation was observed between the Eczema Area Severity Index score and total meiboscore (rₛ=0.390, p=0.005), while a significant negative correlation was found between the Eczema Area Severity Index score and Schirmer test results (rₛ=−0.301, p=0.032). Conclusions: Newly diagnosed patients with atopic dermatitis exhibit significant alterations in tear film parameters and meibomian gland morphology compared with healthy individuals. These patients should be monitored for early development of dry eye disease and meibomian gland dysfunction to prevent associated complications.
Keywords: Dermatitis, atopic; Ocular surface; Meibomian gland dysfunction; Meibography; Dry eye syndromes
Abstract
PURPOSE: To evaluate the effects of a propylene glycol–hydroxypropyl guar nanoemulsion on symptoms and ocular surface parameters in patients with evaporative dry eye.
METHODS: This prospective, single-center, interventional study included patients aged 18–50 years with evaporative dry eye who received a propylene glycol–hydroxypropyl guar nanoemulsion. Participants were instructed to instill the nanoemulsion three times daily for 90 days. Evaluations included the Ocular Surface Disease Index, tear osmolarity, tear meniscus height, lipid layer thickness, noninvasive tear break-up time, fluorescein tear break-up time, corneal fluorescein staining (National Eye Institute Scale), Schirmer’s test I, and meibum quality.
RESULTS: Thirty-three participants were enrolled, and 30 completed the study. The mean age was 36 ± 10 yr, and 73.3% were women. The mean Ocular Surface Disease Index score significantly decreased from 43.1 ± 20 at baseline to 25.2 ± 17 at 3 months (p=0.009). Median corneal fluorescein staining decreased from 2 (IQ range=1–3) to 1 (IQ range 25–75 = 0–1) at the final follow-up (p=0.002). The mean fluorescein tear break-up time increased significantly increased from 3.8 ± 2.1 at baseline to 5.8 ± 2.2 at 3 months (p=0.002). Tear osmolarity decreased significantly (p=0.01) and lipid layer thickness improved markedly (p<0.001). No significant changes were observed in tear meniscus height or noninvasive tear break-up time (p>0.05).
CONCLUSIONS: Treatment with a propylene glycol–hydroxypropyl guar nanoemulsion significantly improved dry-eye symptoms, corneal staining, tear film stability, and lipid layer quality in patients with evaporative dry eye. No adverse events were reported, supporting the safety and efficacy of this formulation.
Keywords: Dry eye syndromes/drug therapy; Meibomian gand dysfunction/drug Dry Eye therapy; Tears; Emulsions; Lubricant eye drops; Nanoparticles; Propylene glycol/therapeutic use; Polysaccharides/ therapeutic use
Abstract
Objetivo: Este estudo comparou o colírio de soro autólogo manipulado com metilcelulose a 0,5% com solução salina 0,9%. Critérios subjetivos de melhora dos sintomas e critérios clínicos objetivos para resposta à terapia foram avaliados.
Métodos: Este estudo prospectivo longitudinal envolveu 23 pacientes (42 olhos) com defeitos epiteliais persistentes ou doença de olho seco grave refratária à terapia convencional que usavam colírio de soro autólogo 20% preparado com metilcelulose por mais de 6 meses e iniciaram soro autólogo diluído em solução salina 0,9%. Os grupos controle e intervenção consistiam dos mesmos pacientes sob tratamentos alternados. Os critérios subjetivos para o alívio dos sintomas foram avaliados usando o Salisbury Eye Evaluation Questionnaire. Os critérios objetivos foram avaliados por meio de exame em lâmpada de fenda incluindo: tempo de ruptura da lágrima, coloração da córnea com fluoresceína, teste de Schirmer, coloração com rosa bengala e altura do menisco lacrimal. Esses critérios foram avaliados antes da troca do diluente e após 30, 90 e 180 dias.
Resultados: Um total de 42 olhos foram analisados antes e após 6 meses usando soro autólogo diluído com solução salina 0,9%. Nenhuma diferença significativa foi encontrada nos critérios subjetivos, tempo de ruptura da lágrima, menisco lacrimal, coloração com fluoresceína ou rosa bengala. Os resultados dos testes de Schirmer pioraram significativamente
em 30 e 90 dias (p=0,008). Não foram observadas complicações ou efeitos adversos.
Conclusões: Este estudo reforça o uso do colírio de soro autólogo 20% como um tratamento de sucesso para a doença do olho seco grave resistente à terapia convencional.
O soro autólogo diluído em solução salina a 0,9% não foi inferior à formulação de metilcelulose.
Keywords: Síndromes do olho seco; Ceratoconjuntivite seca; Síndrome de Sjögren; Solução salina; Soluções oftálmicas; Metilcelulose
Abstract
OJETIVOS: O olho seco é uma doença multifatorial, muito comum na prática clínica oftalmológica. A utilização de questionários validados de sintomas de olho seco permite rastrear de maneira mais objetiva essa doença na população geral, avaliar a prevalência dos sintomas e frequência de diagnóstico, permitindo o tratamento precoce e adequado dessa condição. O 5-Item Dry Eye Questionnaire (DEQ-5) é um questionário em inglês que avalia a frequência e a intensidade do desconforto e ressecamento ocular e a frequência do lacrimejamento, já validado no inglês e espanhol, porém não no português até o presente momento. O objetivo deste estudo foi traduzir e validar o questionário DEQ-5 para a língua portuguesa.
MÉTODOS: Foi utilizado o questionário DEQ-5, composto por 5 perguntas simples e diretas - 2 relacionadas ao desconforto ocular, 2 ao ressecamento ocular e 1 ao lacrimejamento. Foi realizada a tradução inicial da versão em inglês para o português por dois tradutores de língua materna portuguesa, seguido de uma avaliação e compilação de uma versão única por um comitê interdisciplinar das versões traduzidas. Em seguida, tal versão foi traduzida de volta para o inglês por 2 indivíduos que possuíam o inglês como primeira língua, seguido de avaliação e comparação com a versão original em língua inglesa pelo mesmo comitê interdisciplinar. Após, a versão final do questionário foi aplicada em 31 voluntários em dois momentos diferentes.
RESULTADOS: A confiabilidade interobservador das 5 perguntas variou de 0,584-0,813 e a correlação de Pearson de 0.755-0.935, sendo o p-valor <0,0001 em todas elas. A consistência interna foi α=0,887. Todas as perguntas apresentaram concordância de moderada a alta.
CONCLUSÕES: A análise estatística dos dados coletados encontrou ótimos índices de concordância - moderada a alta para todas as questões analisadas -, permitindo o uso do DEQ-5 na língua portuguesa em pesquisas e também como forma de triagem para doença de olho seco e acompanhamento dos sintomas.
Keywords: Síndromes do olho seco; Técnicas de diagnóstico oftalmológico; Inquéritos e questionários; Traduções
Abstract
Objetivo: A possível variabilidade nos resultados de testes diagnósticos é uma característica estatística dos pacientes com síndrome do olho seco. O médico deve considerar as variações do filme lacrimal ao longo do tempo, pois o momento em que o filme lacrimal é medido pode ser crítico para o diagnóstico adequado. O objetivo deste estudo foi analisar a variação semanal da osmolaridade do filme lacrimal em participantes saudáveis e em outros com síndrome do olho seco.
Métodos: Com base nos critérios da metodologia de diagnóstico do relatório da Dry Eye Workshop II (DEWSII), foi aplicada uma bateria de testes (questionário do índice de doença da superfície ocular [OSDI], tempo de ruptura do filme lacrimal e coloração da córnea) para descartar a presença de síndrome do olho seco. Um total de 40 voluntários qualificados foi recrutado e distribuído em dois grupos de 20 participantes saudáveis e 20 participantes com síndrome do olho seco. A variação da osmolaridade entre semanas foi medida com um osmômetro TearLab em duas sessões com uma semana de intervalo nos dois grupos. As diferenças entre os resultados foram então calculadas.
Resultados: Não foram encontradas diferenças significativas na osmolaridade entre as medidas obtidas nas duas sessões, nem no grupo de participantes saudáveis (teste de t pareado; p=0,085), nem no de participantes com síndrome do olho seco (teste de t pareado; p=0,093). Não foi detectada nenhuma correlação significativa entre as médias e diferenças entre as duas sessões entre participantes saudáveis (correlação de Pearson: r=0,020, p=0,935) e aqueles com síndrome do olho seco (correlação Pearson: r=-0,022, p=0,928). Foi encontrada uma diferença significativa nos valores de osmolaridade entre os dois grupos na primeira sessão (teste de t não pareado; p=0,001), mas nenhuma diferença foi encontrada na segunda sessão (teste de t não pareado; p=0,292).
Conclusões: O presente estudo não encontrou variação entre semanas consecutivas na osmolaridade do filme lacrimal em participantes saudáveis e com síndrome do olho seco, classificados com base nos critérios do DEWSII.
Keywords: Concentração osmolar; Lágrimas; Síndromes do olho seco; Técnicas de diagnóstico oftalmológico
Abstract
Objetivos: Este estudo teve como objetivo examinar a superfície ocular de crianças com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade e identificar os efeitos adversos do metilfenidato relacionados à síndrome do olho seco.
Métodos: Este estudo transversal incluiu crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e crianças saudáveis (todas entre 5-18 anos de idade). Elas foram randomizadas no Grupo A (sem tratamento com metilfenidato), Grupo B (com tratamento com metilfenidato) e Grupo C (crianças saudáveis). Foram avaliados o tempo de ruptura do filme lacrimal, questionário sobre Índice de Doenças de Superfície Ocular (IDSO), altura do menisco lacrimal, área do menisco lacrimal e os resultados do teste de Schirmer. Além disso, a gravidade dos sintomas no transtorno de déficit de atenção com hiperatividade foi avaliada usando a Turgay DSM-IV-based Child and Adolescent Behavioral Disorders Screening and Rating Scale com base na escala de Conners Parent Rating Scale-48.
Resultados: Os Grupos A, B e C consistiram de 34, 40 e 60 indivíduos (n=34, 40 e 60 olhos; idade=11,44 ± 2,79, 11,70 ± 2,83 e 11,96 ± 3,63 anos, idade média=12, 123 e 11,5 anos), respectivamente. O tempo de ruptura do filme lacrimal, o Índice de Doença da Superfície Ocular, as altura do menisco lacrimal, a área do menisco lacrimal e o teste de Schirmer não foram significativamente diferentes entre os Grupo A e C (p=0,964, 0,336, 0,445, 0,439 e 0,759, respectivamente). Entretanto, o Grupo B mostrou uma redução significativa no tempo de ruptura do filme lacrimal (10,50 ± 3,39 vs 12,52 ± 2,46 seg; p=0,005), altura do menisco lacrimal (307,40 ± 5,53 vs 310,82 ± 7,30 µm; p= 0,025), área do menisco lacrimal (0,024 ± 0,0037 vs 0,026 ± 0,0046 mm2; p=0,010) e teste de Schirmer (12,75 ± 3,96 vs 15,41 ± 3,75 mm; p=0,004), resultados com0arados com o Grupo A.
Conclusão: Em comparação com crianças saudáveis, crianças com transtorno de déficit
de atenção com hiperatividade apresentaram parâmetros de superfície ocular sugestivos de olho seco, apesar do uso de metilfenidato. Assim, elas requerem um acompanhamento oftalmológico próximo para evitar complicações oculares de olho seco que ameaçam a visão.
Keywords: Transtorno do deficit de atenção com hiperatividade; Metilfenidato/efeitos adversos; Segmento anterior do olho; Tomografia de coerência óptica; Síndrome do olho seco
Abstract
O objetivo é relatar um caso de associação entre disfunção de glândulas de meibomius (DGM) e ceratocone, assim como ressaltar a importância do tratamento do olho seco evaporativo em casos de ectasia corneana. Paciente do sexo masculino de 45 anos com ceratocone e queixas de ardência, lacrimejamento, prurido e olho vermelho. O mesmo tem histórico de transplante de córnea penetrante e uso de lentes de contato rígidas. A meibografia revelou severa perda de glândulas de meibomius e menisco lacrimal normal em ambos os olhos. Testes propedêuticos objetivos são importantes ferramentas para diagnóstico de olho seco e apropriada avaliação da superfície ocular e filme lacrimal. Em pacientes mais velhos, os sinais clássicos de atopia não estão sempre presentes e investigações adicionais das causas de prurido crônico são necessárias. O tratamento da inflamação crônica subjacente como olho seco, disfunção de glândulas de meibomius e blefarite podem ser importantes para prevenir a progressão do ceratocone e garantir alívio dos sintomas.
Keywords: Ceratocone; Disfunção da glândula tarsal; Blefarite; Síndromes dos olho seco; Humanos; Relatos de casos
Abstract
Langerhans cell histiocytosis comprises a heterogeneous range of clinical manifestations secondary to clonal proliferation of histiocytes, characterized by the accumulation of these cells in various organs and tissues. The ophthalmological component commonly involved is the orbit. Herein, we report a rare case of Langerhans cell histiocytosis with eyelid involvement, which resulted in severe ocular surface complications, which subsequently significantly impacted the patient's quality of life. This case report highlights the fact that despite being rare, Langerhans cell histiocytosis should be included in the differential diagnosis of eyelid lesions. Furthermore, a multidisciplinary approach with a systemic overview is crucial for managing the ocular complications.
Keywords: Dry eye syndromes; Erdheim-Chester disease/drug therapy; Human; Female; Case reports
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