Arq. Bras. Oftalmol. 2003;66 (4 )
:477-480
| DOI: 10.1590/S0004-27492003000400015
Abstract
OBJETIVOS: Descrever os achados referentes à adaptação de lentes de contato nos casos de trauma ocular nos últimos 6 anos no Hospital São Geraldo, identificando os mecanismos dos traumas, os parâmetros das lentes de contato prescritas, e por fim avaliar quantitativamente a melhora da acuidade visual com o uso destas. MÉTODOS: Revisão dos prontuários de pacientes atendidos no Serviço de Lentes de Contato do Hospital São Geraldo nos últimos 6 anos. Os dados referentes à idade, sexo, diagnóstico, doenças associadas, olho acometido, acuidade visual pós-trauma, raio, curvatura e índice de permeabilidade ao oxigênio das lentes são descritos. RESULTADOS: O principal diagnóstico foi perfuração, com 25 casos (44,6%), o olho esquerdo estando acometido em 25 casos (58,2%). A AV pós-trauma corrigida mais freqüente foi 20/200 (20,9%). A AV corrigida média após o uso das lentes de contato foi de 20/20 (14%). O maior ganho em número de linhas na tabela de Snellen ocorreu em seis pacientes (14%) (5 linhas). O diâmetro médio das lentes foi de 9,5 mm, o raio médio foi de 8,0 mm. A curvatura das lentes variou de 37,00 D a 52,75 D. A maioria das lentes tinha DK 71. A adaptação foi adequada em todos os casos. O intervalo médio entre o trauma e o início da adaptação foi de 3,5 anos. CONCLUSÃO: As lentes de contato são parte importante no tratamento tardio do trauma ocular, permitindo melhora significativa da AV na maioria dos casos.
Keywords: Lentes de contato; Traumatismos oculares; Acuidade visual; Adaptação ocular
Arq. Bras. Oftalmol. 2008;71 (4 )
:564-567
| DOI: 10.1590/S0004-27492008000400018
Abstract
OBJETIVO: Avaliar a prevalência de catarata e seus fatores de risco em uma população portadora de diabetes mellitus tipo 1 (DM1). MÉTODOS: Estudo de casos e controles de um banco de dados de 181 pacientes (362 olhos) com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1. Os pacientes foram classificados como casos quando apresentavam diagnóstico de catarata. As variáveis estudadas foram a presença ou não de retinopatia diabética, tratamento com panfotocoagulação, presença de hipertensão arterial sistêmica e neuropatia periférica, colesterol total, triglicerídios séricos, HDL, LDL, índice de massa corporal, creatinina sérica, albuminúria, hemoglobina glicosilada e glicemia de jejum. RESULTADOS: A prevalência de catarata foi de 19,9%. Na análise univariada foi encontrada associação estatisticamente significativa (p<0,005) entre a presença de catarata e retinopatia diabética, neuropatia periférica, creatinina sérica elevada, panfotocoagulação e hipertensão arterial. Após a análise de regressão logística a variável que permaneceu com associação estatisticamente significativa foi a presença de retinopatia diabética. CONCLUSÃO: A prevalência de catarata foi de 19,9%, sendo a presença e a gravidade da retinopatia diabética os principais fatores de risco para desenvolvimento desta.
Keywords: Catarata; Retinopatia diabética; Diabetes mellitus tipo 1; Hipertensão; Hemoglobina A glicosilada; Catarata
Arq. Bras. Oftalmol. 2010;73 (6 )
:539-540
| DOI: 10.1590/S0004-27492010000600016
Abstract
O caso em relato aborda uma etiologia rara para necrose de canto medial da pálpebra com comprometimento do sistema canalicular em uma paciente em tratamento para hanseníase virchowiana. O exame histopatológico da lesão necrótica evidenciou reação inflamatória granulomatosa com acúmulo de histiócitos e presença de bacilos álcool-ácido resistentes. Após tratamento medicamentoso a paciente apresentou uma evolução favorável com recuperação espontânea da arquitetura do canto medial, porém com destruição total do sistema canalicular.
Keywords: Necrose; Hanseníase virchowiana; Relatos de casos
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (1 )
:21-23
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000100005
Abstract
OBJETIVO: O estudo realizado teve como objetivo fornecer a relativa frequência de cada lesão epitelial de conjuntiva no Canadá. MÉTODOS: Trata-se de estudo retrospectivo de todos os casos recebidos durante 16 anos (1993-2009) no Henry C. Witelson Ocular Pathology Laboratory, em Montreal. Dados epidemiológicos foram obtidos por meio de requerimento e laudos histopatológicos, sendo classificados e analisados pelo porcentual na amostra. A relativa frequência de lesões epiteliais da conjuntiva foram obtidas em um único centro de análises no Canadá. RESULTADOS: Entre 12.102 espécimes revisadas, 273 foram lesões conjuntivais (2,25%), sendo 86 tumores epiteliais (0,71%) entre a amostra estudada. A idade média das lesões neoplásicas da conjuntiva foi de 59,9 ± 17,6 anos, e a distribuição por sexo foi de 66 (69%) homens e 30 (31%) mulheres. Quinze lesões (17,4%) foram classificadas como papilomas de células escamosas (idade média 57,3 ± 16,7 anos). No grupo das neoplasias escamosas da superfície ocular (NESO) foram encontrados 10 (11,6%) casos de queratose actínica, (63,8 ± 17,6 anos), 27 (31,3%) casos de neoplasia intraepitelial (NIC), com moderada atipia (63,9 ± 15,3 anos), 15 (17,4%) carcinomas in situ (66,7 ± 18,0 anos), e 17 (19,7%) carcinomas de células escamosas (CCE) (56,2 ± 19,4 anos). Dois outros casos menos frequentes de tumores malignos foram incluídos; um carcinoma de célula basal e outro carcinoma mucoepidermoide. CONCLUSÃO: A distribuição de nossa amostra é semelhante a encontrada no Armed Forces Institute of Pathology (AFIP) em 1994, porém quando comparamos nossa amostra com estudos realizados em países com altos níveis de exposição solar observamos menor incidência de neoplasias escamosas da superfície ocular, incluindo-se carcinomas de células escamosas.
Keywords: Conjuntiva; Neoplasias da túnica conjuntiva; Neoplasias oculares; Doenças da córnea; Carcinoma in situ; Carcinoma de células escamosas; Canadá
Arq. Bras. Oftalmol. 2011;74 (4 )
:267-270
| DOI: 10.1590/S0004-27492011000400008
Abstract
A exotropia permanente (XT) acomete cerca de 1 a 2% da população. Seu tratamento é clínico: antiambliogênico e correção dos erros refrativos, e cirúrgico. O objetivo do tratamento cirúrgico é alinhar os olhos na posição primária do olhar, proporcionando melhor resultado estético. Há muito tempo diversos autores estudam os fatores pré, per e pós-operatórios relacionados ao resultado cirúrgico, uma vez que a taxa de sucesso varia de 60 a 80%. Ainda são poucos os estudos que comparam a presença de ambliopia como fator de influência no resultado final. OBJETIVO: Comparar o resultado cirúrgico dos pacientes amblíopes e não-amblíopes submetidos à cirurgia de correção de XT. MÉTODOS: Análise retrospectiva de 37 prontuários de pacientes amblíopes (Grupo A) e não-amblíopes (Grupo B) submetidos à correção cirúrgica de XT por retrocessoressecção monocular, sendo avaliados os registros pós-operatórios imediatos e tardios. Idade: grupo A 24,7 ± 14,2 anos, grupo B 22,6 ±18,6 anos; Desvio pré-operatório: grupo A 29,1± 7,2Δ, grupo B 28,4 ± 6,8Δ. RESULTADOS: A taxa de sucesso foi de 60% e 100% (p<0,05), no pós-operatório imediato e 50% e 82,3% (p=0,082), no pós-operatório final, nos grupos A e B, respectivamente. Não houve diferença significante quanto aos desvios pós-operatórios imediatos, tardios e variação do desvio. CONCLUSÃO: Pode-se concluir que o grupo B mostrou melhor resultado no pós-operatório imediato; porém não houve diferença no resultado cirúrgico de correção de exotropia permanente entre pacientes amblíopes e não-amblíopes no período pós-operatório de seis meses.
Keywords: Exotropia; Ambliopia
Arq. Bras. Oftalmol. 2012;75 (6 )
:390-393
| DOI: 10.1590/S0004-27492012000600003
Abstract
INTRODUÇÃO: A distrofia corneana é definida como doença primária da córnea, bilateral e simétrica, sem associação com inflamação ocular prévia. Distrofias corneanas são classificados de acordo com a camada corneana envolvida em distrofia superficial, estromal e posterior. A incidência de cada distrofia varia de acordo com a região geográfica estudada. OBJETIVO: Avaliar a prevalência de distrofias corneanas estromal em botões corneanos de espécimes obtidos por ceratoplastia penetrante (CP), oriundos do arquivo de um laboratório de patologia ocular e correlacionar o diagnóstico com a idade e o sexo dos pacientes. MÉTODOS: Os botões corneanos oriundos de ceratoplastia penetrante recebidos entre janeiro de 1996 e maio de 2009 foram selecionados dos arquivos do Henry C. Witelson Ocular Pathology and Registry Laboratory, em Montreal, Canadá. Os casos com diagnóstico histopatológico de distrofias corneanas estromal foram corados com colorações especiais ("Peroxid acid Schiff", tricrômico de Masson, vermelho Congo analisadas sob luz polarizada, e "alcian blue") para a classificação e foram correlacionados com dados epidemiológicos (idade na época da ceratoplastia penetrante e sexo) dos pacientes. RESULTADOS: 1.300 casos de botões corneanos com diagnóstico clínico de distrofia corneana foram recuperados. Distrofia corneana estromal foi encontrada em 40 (3,1%) dos casos. Distrofia corneana lattice foi a mais prevalente com 26 casos (65%). Dezenove eram do sexo feminino (73,07%) e CP foi realizada em média com 59,3 anos de idade. Distrofia corneana combinada foi encontrada em 8 (20%) casos, 5 (62,5%) eram do sexo feminino e a idade média da CP foi de 54,8 anos. Distrofia corneana granular foi encontrada em 5 (12,5%) casos, e 2 (40%) deles eram do sexo feminino. A ceratoplastia penetrante foi realizada na média de idade de 39,5 anos, em casos de distrofia corneana granular. A distrofia corneana macular esteve presente em apenas um caso (2,5%), 36 anos de idade do sexo feminino. CONCLUSÃO: A abordagem histopatológica e avaliação sistemáticas, incluindo colorações especiais em todas as distrofias corneanas é essencial para estabelecer o correto diagnóstico.
Keywords: Distrofias hereditárias da córnea; Distrofias hereditárias da córnea; Ceratoplastia penetrante; Substância própria
Arq. Bras. Oftalmol. 2013;76 (5 )
:265-269
| DOI: 10.1590/S0004-27492013000500002
Abstract
OBJETIVO: Determinar se o crescimento do globo ocular mensurado através da biometria óptica e ultrassônica em uma população pediátrica de altos míopes é significante, assim como variação significante da espessura do cristalino, profundidade da câmara anterior, curvatura corneana e achados fundoscópicos durante o acompanhamento. MÉTODOS: Uma população pediátrica (idade média: 8,7anos), 11 olhos de crianças portadoras de alta miopia (refração média inicial: -11,28D) foi submetida a avaliação seriada num período de nove meses incluindo-se biometria óptica (IOLMaster, Zeiss) e ultrassônica (Ultrascan, Alcon; técnica de contato), refratometria estática, oftalmoscopia indireta e retinografia. RESULTADOS: No período de nove meses, o crescimento do olho foi estatisticamente significante em 64% (7 olhos) e não ocorreu em 36% (3 olhos), com modificação do comprimento axial médio (pré=26,76 mm; final=26,98 mm). Neste período, o equivalente esférico refracional aumentou em 45% (5 olhos), não apresentou variação em 27% (3 olhos), com modificação da refração média (pré=-11,28 D; final=-11,69 D). Não houve variação estatisticamente significante da espessura do cristalino, profundidade da câmara anterior, curvatura corneana e do aspecto fundoscópico. CONCLUSÃO: No grupo de crianças com alta miopia acompanhadas num período de nove meses, demonstrou-se o crescimento do globo ocular com variação do comprimento axial tanto pela técnica de biometria óptica quanto ultrassônica, e com aumento da refratometria média. Outros parâmetros estudados como espessura do cristalino, profundidade da câmara anterior e curvatura da córnea não demonstraram variação no período de tempo do estudo.
Keywords: Biometria; Miopia; Comprimento axial do olho; Olho; Olho; Progressão da doença; Refração ocular; Refratometria; Retina; Humanos